segunda-feira, 30 de setembro de 2013

Francisco aos catequistas: sejam criativos, não tenham medo de romper os esquemas para anunciar o Evangelho

1_0_732465Cidade do Vaticano (RV) - O Papa encontrou na tarde desta sexta-feira, na Sala Paulo VI, os participantes do Congresso Internacional sobre a Catequese organizado no âmbito do Ano da Fé. Em seu discurso, o Pontífice ressaltou que "a catequese é um pilar para a educação da fé".

"É preciso bons catequistas!", exclamou, agradecendo aos presentes por esse serviço "à Igreja e na Igreja". "Mesmo se por vezes pode ser difícil, há muito trabalha, se esforça e não se veem os resultados desejados, educar na fé é belo! Talvez seja a melhor herança que podemos dar: a fé! Educar na fé" para que cresça.

Ajudar as crianças, os adolescentes, os jovens a conhecer e a amar sempre mais o Senhor é uma das aventuras educacionais mais bonitas, se constrói a Igreja! 'Ser' catequistas! Não trabalhar como catequistas, eh! – observou.

Isso não serve! Eu trabalho como catequista porque gosto de ensinar... Mas se você não é catequista, não serve! Não será fecundo! Não será fecunda! "Catequista é uma vocação: 'ser catequista', essa é a vocação; não trabalhar como catequista. Vejam bem, não disse 'trabalhar como catequista, mas sê-lo', porque envolve a vida. E assim se conduz ao encontro com Jesus com as palavras e com a vida, com o testemunho".

Francisco convidou a recordar aquilo que Bento XVI disse: "A Igreja não cresce por proselitismo. Cresce por atração". "E aquilo que atrai – precisou o Papa – é o testemunho. Ser catequista significa dar testemunho da fé; ser coerente na própria vida. E isso não é fácil! Não é fácil. Nós ajudamos, conduzimos ao encontro com Jesus com as palavras e com a vida, com o testemunho."

Em seguida, recordou aquilo que São Francisco de Assis dizia a seus confrades: "Preguem sempre o Evangelho e se fosse necessário também com as palavras". Mas antes vem o testemunho: "que as pessoas vejam o Evangelho em nossa vida. E 'ser' catequistas requer amor, amor sempre mais forte a Cristo, amor a seu povo santo. E esse amor não se compra nas casas comerciais; não se compra nem mesmo aqui em Roma. Esse amor vem de Cristo! É um presente de Cristo!

É um presente de Cristo! E se vem de Cristo parte d'Ele e nós devemos partir novamente de Cristo, desse amor que Ele nos dá. O que significa esse partir novamente de Cristo, para um catequista, para vocês, também para mim, porque também eu sou um catequista? O que significa?

O Papa respondeu com três coisas. Em primeiro lugar, partir novamente de Cristo significa ter familiaridade com Ele. Mas ter familiaridade com Jesus: Jesus o recomenda com insistência aos discípulos na Última Ceia, quando se aproxima a viver a doação mais alta de amor, o sacrifício da Cruz.

Jesus utiliza a imagem da videira e dos ramos e diz: permaneçam em meu amor, permaneçam junto a mim, como os ramos na videira. "Se estivermos unidos a Ele – observou Francisco – podemos dar fruto, e essa é a familiaridade com Cristo. Permanecer em Jesus!" É um permanecer apegado a Ele, "com Ele, falando com Ele: mas, permanecer em Jesus".

"A primeira coisa para um discípulo – prosseguiu – é estar com o Mestre, ouvi-lo, aprender d'Ele. E isso vale sempre, é um caminho que dura a vida inteira."

O Papa contou um episódio: "Numa de minhas saídas, aqui em Roma, numa missa aproximou-se um senhor, relativamente jovem e me disse: 'Padre, prazer conhecê-lo, mas não creio em nada! Não tenho o dom da fé! Entendia que era um dom... 'Não tenho o dom da fé! O que me diz?' 'Não desanime. Cristo lhe quer bem. Deixe-se olhar pelo Senhor! Nada mais que isso'.
E isso digo a vocês: deixem-se olhar pelo Senhor! – exortou o Santo Padre:

"Entendo que para vocês não è tão simples: especialmente para quem é casado e tem filhos, é difícil encontrar um tempo longo de calma. Mas, graças a Deus, não é necessário fazer todos do mesmo modo; na Igreja há variedade de vocações e variedade de formas espirituais; o importante é encontrar o modo adequado para estar com o Senhor; e isso se pode, é possível em qualquer estado de vida."

O Papa acrescentou o segundo elemento: "partir novamente de Cristo significa imitá-lo no sair de si e ir ao encontro do outro. Essa é uma experiência bonita, e um pouco paradoxal. Por qual motivo? Porque quem coloca no centro da própria vida Cristo, se descentra! Quanto mais se une a Jesus e Ele se torna o centro da sua vida, mais Ele o faz sair de si mesmo, o descentra e abre você aos outros.

"O coração do catequista vive sempre esse movimento de 'sistole – diastole': união com Jesus – encontro com o outro. Sistole – diastole. Se falta um desses dois movimentos, não bate mais, não pode viver."
O terceiro elemento, que está sempre nessa linha: "partir novamente de Cristo significa não ter medo de ir com Ele às periferias". De fato, o Pontífice exortou a não ter medo de caminhar com Jesus às periferias:
"Se um catequista se deixa tomar pelo medo, é um covarde; se um catequista está tranqüilo acaba por tornar-se uma estátua de museu; se um catequista é rígido torna-se estéril. Pergunto-lhes: alguém de vocês quer ser covarde, estátua de museu ou estéril?"

Francisco pediu criatividade e nenhum medo de sair dos próprios esquemas: isso caracteriza um catequista. Quando permanecemos fechados em nossos esquemas, nossos grupos, nossas paróquias, nossos movimentos – explicou – ocorre o que acontece a uma pessoa fechada em seu quarto: adoecemos.

A certeza que deve acompanhar todo catequista – acrescentou Francisco é que Jesus caminha conosco, nos precede. "Quando pensamos ir longe, a uma periferia extrema, Jesus está lá."

(FONTE)

segunda-feira, 23 de setembro de 2013

Por que a Bíblia católica é diferente da protestante?

Qual a diferença da Bíblia Católica e a protestante?

A bíblia protestante tem apenas 66 livros porque Lutero e, principalmente os seus seguidores, rejeitaram os livros de Tobias, Judite, Sabedoria, Baruc, Eclesiástico (ou Sirácida), 1 e 2 Macabeus, além de Ester 10,4-16; Daniel 3,24-20; 13-14. A razão disso vem de longe.

No ano 100 da era cristã os rabinos judeus se reuniram no Sínodo de Jâmnia (ou Jabnes), no sul da Palestina, a fim de definirem a Bíblia Judaica. Isto porque nesta época começava a surgir o Novo Testamento com os Evangelhos e as cartas dos Apóstolos, que os Judeus não aceitaram.

Nesse Sínodo os rabinos definiram como critérios para aceitar que um livro fizesse parte da Bíblia, o seguinte:

(1) deveria ter sido escrito na Terra Santa;

(2) escrito somente em hebraico, nem aramaico e nem grego;

(3) escrito antes de Esdras (455-428 a.C.);

(4) sem contradição com a Torá ou lei de Moisés.

Esses critérios eram nacionalistas, mais do que religiosos, fruto do retorno do exílio da Babilônia. Por esses critérios não foram aceitos na Bíblia judaica da Palestina os livros que hoje não constam na Bíblia protestante, citados antes.

Acontece que em Alexandria no Egito, cerca de 200 anos antes de Cristo, já havia uma forte colônia de judeus, vivendo em terra estrangeira e falando o grego. Os judeus de Alexandria, através de 70 sábios judeus, traduziram os livros sagrados hebraicos para o grego, entre os anos 250 e 100 a.C, antes do Sínodo de Jâmnia (100 d.C). Surgiu assim a versão grega chamada Alexandrina ou dos Setenta. E essa versão dos Setenta, incluiu os livros que os judeus de Jâmnia, por critérios nacionalistas, rejeitaram.

Havia então no início do Cristianismo duas Bíblias judaicas: uma da Palestina (restrita) e a Alexandrina (completa – Versão dos LXX). Os Apóstolos e Evangelistas optaram pela Bíblia completa dos Setenta (Alexandrina), considerando canônicos os livros rejeitados em Jâmnia. Ao escreverem o Novo Testamento usaram o Antigo Testamento, na forma da tradução grega de Alexandria, mesmo quando esta era diferente do texto hebraico.

O texto grego “dos Setenta” tornou-se comum entre os cristãos; e portanto, o cânon completo, incluindo os sete livros e os fragmentos de Ester e Daniel, passou para o uso dos cristãos.

Das 350 citações do Antigo Testamento que há no Novo, 300 são tiradas da Versão dos Setenta, o que mostra o uso da Bíblia completa pelos apóstolos. Verificamos também que nos livros do Novo Testamento há citações dos livros que os judeus nacionalistas da Palestina rejeitaram. Por exemplo: Rom 1,12-32 se refere a Sb 13,1-9;  Rom 13,1 a  Sb 6,3;  Mt 27,43 a Sb 2, 13.18; Tg 1,19 a Eclo 5,11;  Mt 11,29s a Eclo 51,23-30;  Hb 11,34 a 2 Mac 6,18; 7,42;  Ap 8,2 a Tb 12,15.

Nos séculos II a IV houve dúvidas na Igreja sobre os sete livros por causa da dificuldade do diálogo com os judeus. Finalmente a Igreja, ficou com a Bíblia completa da Versão dos Setenta, incluindo os sete livros.

Por outro lado, é importante saber também que muitos outros livros que todos os cristãos têm como canônicos, não são citados nem mesmo implicitamente no Novo Testamento. Por exemplo: Eclesiastes, Ester, Cântico dos Cânticos, Esdras, Neemias, Abdias, Naum, Rute.

Outro fato importantíssimo é que nos mais antigos escritos dos santos Padres da Igreja (Patrística) os livros rejeitados pelos protestantes (deutero-canônicos) são citados como Sagrada Escritura. Assim, São Clemente de Roma, o quarto Papa da Igreja, no ano de 95 escreveu a Carta aos Coríntios, citando Judite, Sabedoria, fragmentos de Daniel, Tobias e Eclesiástico; livros rejeitados pelos protestantes.

Ora, será que o Papa S. Clemente se enganou, e com ele a Igreja? É claro que não. Da mesma forma, o conhecido Pastor de Hermas, no ano 140, faz amplo uso de Eclesiástico, e do 2 Macabeus; Santo Hipólito (†234), comenta o Livro de Daniel com os fragmentos deuterocanônicos rejeitados pelos protestantes, e cita como Sagrada Escritura Sabedoria, Baruc, Tobias, 1 e 2 Macabeus.

Fica assim, muito claro, que a Sagrada Tradição da Igreja e o Sagrado Magistério sempre confirmaram os livros deuterocanônicos como inspirados pelo Espírito Santo.

Vários Concílios confirmaram isto: os Concílios regionais de Hipona (ano 393); Cartago II (397), Cartago IV (419), Trulos (692). Principalmente os Concílios ecumênicos de Florença (1442), Trento (1546) e Vaticano I (1870) confirmaram a escolha.

No século XVI, Martinho Lutero (1483-1546) para contestar a Igreja, e para facilitar a defesa das suas teses, adotou o cânon da Palestina e deixou de lado os sete livros conhecidos, com os fragmentos de Esdras e Daniel.

Sabemos que é o Espírito Santo quem guia a Igreja e fez com que na hesitação dos séculos II a IV a Igreja optasse pela Bíblia completa, a versão dos Setenta de Alexandria, o que vale até hoje para nós católicos.

Lutero, ao traduzir a Bíblia para o alemão, traduziu também os sete livros (deuterocanônicos) na sua edição de 1534, e as Sociedades Biblícas protestantes, até o século XIX incluíam os sete livros nas edições da Bíblia.

Neste fato fundamental para a vida da Igreja (a Bíblia completa) vemos a importância da Tradição da Igreja, que nos legou a Bíblia como a temos hoje. Disse o último Concílio: “Pela Tradição torna-se conhecido à Igreja o Cânon completo dos livros sagrados e as próprias Sagradas Escrituras são nelas cada vez mais profundamente compreendidas e se fazem sem cessar, atuantes. Assim o Deus que outrora falou, mantém um permanente diálogo com a Esposa de seu dileto Filho, e o Espírito Santo, pelo qual a voz viva do Evangelho ressoa na Igreja e através da Igreja no mundo, leva os fiéis à verdade toda e faz habitar neles copiosamente a Palavra de Cristo” (DV,8).

Por fim, é preciso compreender que a Bíblia não define, ela mesma, o seu catálogo; isto é, não há um livro da Bíblia que diga qual é o Índice dela. Assim, este só pôde ter sido feito pela Tradição Apostólica oral que de geração em geração chegou até nós.

Se negarmos o valor indispensável da Tradição, negaremos a autenticidade da própria Bíblia.

Prof. Felipe Aquino

(FONTE)

quarta-feira, 18 de setembro de 2013

Papa aceita renúncia de Dom Dadeus Grings e nomeia Dom Jaime Spengler como novo arcebispo de Porto Alegre

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Renuncia e nomeação - Nesta quarta-feira, dia 18 de setembro, o Papa Francisco aceitou a renúncia ao governo pastoral da Arquidiocese de Porto Alegre, apresentada por Dom Dadeus Grings, por motivo de idade e elevou Dom Jaime Spengler à dignidade de arcebispo, nomeando-o como novo titular de Porto Alegre. O comunicado foi feito pela Nunciatura Apostólica no Brasil.

Curriculo de Dom Jaime
Até esta data, o novo arcebispo era titular de Pátara e bispo auxiliar em Porto Alegre, exercendo a função específica de Vigário Episcopal do Vicariato de Gravataí. Aos 53 anos, Dom Jaime será o 7º arcebispo da história da Arquidiocese de Porto Alegre. Seu lema episcopal é: “In Cruce Gloriari – Gloriar-se na Cruz - inspirado na carta de São Paulo aos Colossenses. A data da posse canônica ainda será definida.
Dom Jaime nasceu no dia 06 de setembro de 1960, em Gaspar, Santa Catarina. Ingressou na Ordem dos Frades Menores onde emitiu seus primeiros votos religiosos em janeiro de 1983. Foi ordenado Diácono no dia 19 de junho de 1989 em Nazaré, Israel. Fez os cursos de filosofia e teologia em Petrópolis (RJ) e foi ordenado padre em novembro de 1990. Entre 1991 e 1995, foi mestre dos postulantes e professor no Seminário Frei Galvão. Em Roma, fez o doutorado de filosofia na Pontifícia Universidade Antonianum.
Aos 10 de novembro de 2010, Dom Jaime foi nomeado Bispo Auxiliar da Arquidiocese de Porto Alegre pelo Papa Bento XVI. A ordenação episcopal, presidida por Dom Lorenzo Baldisseri, Núncio Apostólico no Brasil, aconteceu no dia 5 de fevereiro de 2011, na Paróquia São Pedro Apóstolo, na cidade de Gaspar.
Nomeado Vigário episcopal do Vicariato de Gravataí(RS), foi apresentado durante celebração eucarística na Igreja Matriz de Nossa Senhora dos Anjos (Gravataí), no dia 13 de março de 2011.
No exercício do seu ministério episcopal no Rio Grande do Sul, Dom Jaime atuou na CNBB Regional Sul 3 como referencial para o setor de Juventude. Em 25 de junho de 2011, foi escolhido para integrar a Comissão Episcopal Pastoral para os Ministérios Ordenados e a Vida Consagrada da CNBB, sendo o Bispo Referencial para a Vida Consagrada no Brasil. No dia 15 de agosto de 2012, foi nomeado pelo Arcebispo Dom Dadeus Grings como Procurador e Ecônomo da Arquidiocese de Porto Alegre. Durante a 49ª Assembleia Anual do Episcopado Brasileiro, em Aparecida, em maio de 2013, foi escolhido pelos bispos do Rio Grande do Sul para ser o Bispo Referencial da Pastoral da Educação e Cultura, no Regional Sul-3 da CNBB.

Mandato de Dom Dadeus
Em 2011, ao completar 75 anos e, conforme prevê o Código de Direito Canônico, Dom Dadeus Grings apresentou ao Vaticano a renúncia do cargo de arcebispo metropolitano. O processo de escolha levou dois anos até a decisão final do Papa Francisco. Dom Dadeus Grings justifica a demora na sucessão pela importância que a Arquidiocese de Porto Alegre possui: “A sucessão de Dom Vicente Scherer demorou três anos. Isso também mostra a importância que tem esta sede diocesana” disse.
Dom Dadeus Grings permaneceu por 12 anos à frente do governo pastoral da 5ª arquidiocese mais importante do Brasil. Na dinamização da Arquidiocese, destaca-se a formação dos Vicariatos (circunscrições eclesiásticas), que garantem melhor organização e ação pastoral mais eficiente nos 29 municípios que compõe a Arquidiocese. O Prelado também é autor de vasta produção bibliográfica, somando 28 livros e 21 cartilhas, sendo a mais recente “As comunidades paroquiais - Cartilha da Nova Paróquia”. Além disso, colaborou com centenas de artigos de em destacados jornais da capital gaúcha.

A ARQUIDIOCESE DE PORTO ALEGRE EM NÚMEROS
Considerada pela Igreja como a 5ª mais importante do Brasil, a Arquidiocese de Porto Alegre foi fundada em 7 de maio de 1848 e elevada à dignidade de Arquidiocese em 1910. Possui população superior a 3 milhões de pessoas, abrangendo 29 municípios, divididos em quatro vicariatos territoriais: Porto Alegre, Canoas, Gravataí e Guaíba.
Números mais detalhados da Igreja local mostra o seguinte perfil:
156 Paróquias
739 Comunidades
17 Diaconias (serviços de caridade)
201 Padres diocesanos
59 Diáconos permanentes
155 Padres religiosos
139 Irmãos religiosos
1.123 Irmãs religiosas
2.129 Catequistas
2.906 Ministros Extraordinários da Sagrada Comunhão
Além disso, a Sede Metropolitana de Porto Alegre também congrega as Dioceses sufragâneas de Montenegro, Novo Hamburgo, Osório e Caxias do Sul.

Fonte: Arquidiocese de Porto Alegre

quinta-feira, 5 de setembro de 2013

Ler e meditar a Bíblia

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“Isso faz a diferença”

 

 

É preciso ter discernimento para ler, compreender e viver a mensagem bíblica. Não se deve levar tudo ao pé da letra. O exemplo de Jesus vai muito além do que aparece na palavra escrita, pois seria muito estranho seguir a ordem dada por Jesus: "Se tua mão te escandaliza, corta-a".
Os católicos estão lendo cada vez mais a Palavra de Deus e isso tem feito a diferença. No dia a dia, somos bombardeados com mensagens bem pouco edificantes, as quais, geralmente, incentivam a violência, o egoísmo e a exploração do outro. Entretanto, podemos encontrar na Bíblia mensagens repletas de sabedoria, capazes de nos orientar, estimular sentimentos e ações que constroem uma vida de qualidade. A leitura da Bíblia traz luz e direção ao projeto de vida de cada um, introduzindo lentamente na mentalidade do homem que a lê um modo de pensar diferente da maioria das pessoas. Ele recebe mensagens novas, guiadas pela sabedoria e pela força de Deus.

Com o passar dos anos, a teologia cristã foi se afastando da Bíblia, mas, a partir do Concílio Vaticano II, no documento Dei Verbum, a Bíblia foi reconduzida ao centro da vida da Igreja. O Documento de Aparecida também apresenta uma retomada dos textos bíblicos e está repleto deles. É o novo rosto da Igreja que quer ser cada vez mais parecida com as comunidades apresentadas nos primeiros capítulos dos Atos dos Apóstolos e com aquela sonhada por João Paulo II no documento Novo Millennio Ineunte como expressão da unidade dos cristãos em Cristo.
A lei do mundo vai na contramão da lei de todo discípulo de Jesus. A todo momento, somos incentivados a aproveitar a vida de forma egoísta, vivendo o hoje sem pensar no próximo, amando apenas a nós mesmos e esquecendo-se de amar a Deus. Ouvimos todos os dias essas mensagens e, se não ouvimos ou lemos algo diferente, a lei do mundo acaba prevalecendo e nos perdemos facilmente.
Se amar Deus e o próximo é toda a lei do discípulo de Jesus, a Bíblia lembra que este é o caminho para ser um cristão de elite, bom, santo, feliz.
O que você acha que prevalecerá em sua vida: a lei de Deus ou a lei do mundo? Com certeza, aquele que assiste a qualquer programa e lê qualquer revista ficará com a lei do mundo e será mais um entre tantos anônimos.

Padre Mário Bonatti
Sacerdote Salesiano de Dom Bosco

(FONTE)

segunda-feira, 2 de setembro de 2013

Celebrando o mês da Bíblia

be9d9854d5e07ade56a727f06a54ba9dA Bíblia é a Palavra de Deus, semeada no meio do povo. Assim cantamos em nossas celebrações, recordando a sua importância em nossa vida e em nossas comunidades. Com o objetivo de nos conscientizar sobre a importância desse livro sagrado, desde 1971, a Igreja no Brasil celebra setembro como o Mês da Bíblia.
A Igreja sempre nutriu um grande amor e respeito pela Palavra de Deus. E, após o Concílio Vaticano II, valorizou-a ainda mais, propondo que nas celebrações, ao lado da Mesa Eucarística, esteja também a Mesa da Palavra.
A Bíblia - palavra grega que significa "livros" - é o conjunto de 73 livros que contém a revelação divina. Dividida em duas grandes partes - o Antigo e o Novo Testamentos - tem como centro a pessoa de Jesus Cristo. Testamento é uma palavra latina que significa "aliança". A Bíblia é, portanto, o livro da aliança de Deus com seu povo.
O Antigo Testamento relata a experiência religiosa do povo hebreu, preparando-se para a vinda do Messias prometido. No início os relatos eram orais e só mais tarde, a partir do século X a.C., passaram a ser registrados por escrito.
O Novo Testamento mostra a vida e os ensinamentos de Jesus de Nazaré, o Messias prometido, e a experiência das primeiras comunidades na vivência desses ensinamentos. Foi escrito nos séculos l e II d.C., refletin-o as experiências das primeiras comunidades em relação a Jesus, à luz do Antigo Testamento.

VERDADE DIVINA – A Bíblia sempre foi a alma da Igreja. Inspirada por Deus, ela foi escrita por autores diversos, em épocas diferentes. Os hagiógrafos (autores sagrados) procuraram transmitir a mensagem divina mas com a linguagem e a cosmovisão de sua época. Por isso não se pode lê-la com espírito fundamentalista, interpretando tudo literalmente, mas sabendo ver na linguagem humana as verdades divinas.
Também são diversos os géneros literários: celebrações, histórias reais ou lendárias, leis, poesias, orações, provérbios, sabedoria popular, ensinamentos. Essa grande variedade forma a riqueza da Bíblia. Mas, em toda essa obra humana, reconhecemos também a autoria de Deus, pois o apóstolo São Pedro nos ensina que "homens inspirados pelo Espírito Santo falaram da parte de Deus." (2Pd 1,20-21)
A Bíblia é a "Palavra de Deus escrita na linguagem dos homens". O Concílio Vaticano II, na Constituição Dogmática "Dei Verbum", ressalta que Deus é o autor principal de toda a Bíblia, mas Ele se serviu dos homens para concretizar seu plano: "Na redação dos livros sagrados, Deus escolheu homens, dos quais se serviu fazendo-os usar suas próprias faculdades e capacidades, a fim de que, agindo Ele próprio neles e por eles, escrevessem, como verdadeiros autores, tudo e só aquilo que Ele próprio quisesse." (DV, 11)
Por isso, quando lemos a Bíblia, é o próprio Deus que através dela entra em contato conosco, para nos comunicar sua vida. Essa certeza levou Santo Ambrósio a exclamar: "Ainda agora Deus passeia pelo paraíso quando leio as Escrituras".

LIVRO DE FÉ - Toda a Bíblia quer revelar o projeto de Deus: a libertação integral dos homens. Mostra um Deus que se preocupa com seu povo, libertando-o da escravidão do Egito; que busca a justiça dos pobres e excluídos; que não quer a morte mas o arrependimento e a vida do pecador. Mostra um Deus que deseja que todos tenham vida, e a tenham em plenitude.
É necessário lembrar que a Bíblia não é um livro de ciência ou de história, mas livro de fé. E faz-se necessário conhecer a época e o contexto cultural em que viveram os hagiógrafos, bem como conhecer a diversidade dos gêneros literários para que possamos fazer uma interpretação correta dos livros sagrados.
O fundamentalismo, que entende tudo ao pé da letra ignorando esses aspectos, leva a interpretações errôneas e distorcidas da mensagem de Deus. Como consequência, muitas vezes o texto sagrado, em vez de palavra que liberta e salva, torna-se moralismo opressor ou espiritualidade alienante.

VIVER A PALAVRA - A Bíblia é a Palavra de Deus a nos guiar, por isso é importante que busquemos nela nosso sustento espiritual. Somos convidados a ler, entender, viver e comunicar essa palavra, vendo nela a carta de amor que Deus escreveu para nós.
"O cristianismo é a religião da Palavra de Deus, não de uma palavra escrita e muda, mas do Verbo encarna¬do e vivo. Por conseguinte a Sagrada Escritura deve ser proclamada, escutada, lida, acolhida e vivida como Palavra de Deus, no sulco da tradição apostólica de que é inseparável." (Papa Bento XVI)
"Beijar a Bíblia é beijar o rosto de Deus"- assim nos ensina Santo Agostinho. Palavra viva e eficaz, nela encontramos a revelação de Deus Pai a transmitir a seus filhos os ensinamentos para a plena realização e para a verdadeira felicidade.

(FONTE)

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