quarta-feira, 12 de março de 2014

“Fraternidade sim, racismo não!”, dom Gilio Felicio escreve artigo em nome do Regional Sul 3 da CNBB

dom_gilio_felicioNesse domingo 09/03, dom Gilio Felicio, bispo de Bagé e bispo referencial da Pastoral Afro-brasileira pelo RS3, escreveu um artigo em que se manifesta sobre o racismo patente de fatos dos últimos dias. Intitulado “Fraternidade sim, racismo não!”, o artigo propõe uma reflexão a respeito da prática criminosa e representa a opinião dos 34 bispos que compõem a CNBB Sul 3 e apoiaram a inciativa.
Conforme aponta dom Gilio, o racismo segue vivo, violento e “presente não apenas em estádios de futebol, mas também em tantos outros espaços sociais, culturais e até religiosos”. O bispo cita o Documento de Aparecida, de maio de 2007, onde a Igreja Católica “denuncia a prática da discriminação e do racismo em suas diferentes expressões, pois ofende no mais profundo a dignidade humana criada à imagem e semelhança de Deus”.
Além de lembrar as palavras do Bem-aventurado Papa João Paulo II, que em nome da Igreja Católica pediu “perdão a Deus, por algumas ações equivocadas ou algumas omissões em sua missão pastoral junto à população negra”, dom Gilio Felicio destaca o exemplo do Papa Francisco. “Rezemos uns pelos outros para que haja uma grande fraternidade”, ele cita o Sumo Pontífice a respeito do racismo que deveria ser desativado para sempre, a fim de acabar com “o motor principal da cultura de morte”.
Leia o artigo completo:

Fraternidade sim, racismo não!

Não faz muito tempo, numa roda de amigos, alguém disse: “O racismo já era. A sociedade já superou esse pecado. Vejam! Aqui estamos desfrutando a riqueza da amizade com a diversidade dos tons de nossa epiderme e de nossa etnia”. Lamentavelmente, a afirmação entusiástica do amigo se defronta, em nossos dias, com um racismo vivo e violento. Presente não apenas em estádios de futebol, mas também em tantos outros espaços sociais, culturais e até religiosos.
À revelia dos princípios de igualdade, reconhecidos na Declaração Universal dos Direitos Humanos (1948) e nos propósitos e compromissos da III Conferência Mundial Contra o Racismo (promovida pela ONU, em Durban na África do Sul, em 2001), a discriminação racial, a xenofobia e intolerância correlatas, o racismo continua ferindo, e em muitos lugares desprezando, traficando e matando seres humanos, “imagem e semelhança de Deus”. As pessoas de bem, os religiosos, as lideranças responsáveis pelo bem comum, não podem ficar de braços cruzados ou de olhos vedados. O racismo, crime “lesa-humanidade”, está vivo. Negros e negras são os mais atingidos por essa violência.
A maneira perversa do racismo brasileiro torna invisível uma inaudível população de cerca de 80 milhões de brasileiros. É um fenômeno no mundo contemporâneo. Os interesses do povo afro-brasileiro são escamoteados e a impressão superficial que se tem da sociedade brasileira é a de que, em matéria de convívio interétnico, o Brasil é exemplo para o mundo.
O Documento de Aparecida, elaborado em maio de 2007, na V Conferência Episcopal Latino-americana e Caribenha, continua atual quando afirma: “A história dos afro-americanos tem sido atravessada por uma exclusão social, econômica, política e, sobretudo, racial, onde a identidade étnica é fator de subordinação social. Muitos são discriminados na inserção do trabalho, na qualidade e conteúdo da formação escolar, nas relações cotidianas e, além disso, existe um processo de ocultamento sistemático de seus valores, história, cultura e expressões religiosas. Permanece, em alguns casos, uma mentalidade e um certo olhar de menor respeito em relação aos afro-americanos. Desse modo, descolonizar as mentes, o conhecimento, recuperar a memória histórica, fortalecer os espaços e relacionamentos interculturais, são condições para a afirmação da plena cidadania destes povos”.
A Igreja Católica − que, como lembrou o Bem-aventurado Papa João Paulo II, pede perdão a Deus, por algumas ações equivocadas ou algumas omissões em sua missão pastoral junto à população negra − “denuncia a prática da discriminação e do racismo em suas diferentes expressões, pois ofende no mais profundo a dignidade humana criada à imagem e semelhança de Deus”. (cf. Documento de Aparecida, 533).
Nos dias de hoje, a família das nações precisa de um concertado programa de ação para abordar a questão do racismo e desativá-lo para sempre. Pois, ele é o motor principal da cultura de morte, presente em nossa sociedade. “Rezemos uns pelos outros para que haja uma grande fraternidade” (Papa Francisco).

Dom Gilio Felicio
Bispo de Bagé

CNBB Sul 3

(FONTE)

segunda-feira, 10 de março de 2014

Céus Novos e uma Terra Nova

monsenhor-jonas-abib

Assim como Jesus passou pela morte, a Igreja também passará

Eu sei que você fica receoso e até se pergunta: será que isso é doutrina da Igreja? Está no catecismo da Igreja Católica este presente de João Paulo ll para nós, Igreja:

Antes do advento de cristo, a Igreja deve passar por uma provação final que abalará a fé de muitos crentes. A perseguição que acompanha a peregrinação dela na terra desvendará o ´mistério da iniqüidade´ sob a forma de uma impostura religiosa que há de trazer aos homens uma solução aparente aos seus problemas, á custa da apostasia da verdade"

( CIC 675).

Acontecerá uma impostura religiosa. O anticristo aparecerá como alguém bom que fará a proposta de ser o governador do mundo inteiro. E apresentará ás pessoas a possibilidade de solucionar os grandes problemas que angustiam a humanidade: fome, habitação, desemprego, saúde, desigualdade entre os povos…

Momentaneamente, o sistema que ele vai querer impor trará solução para os problemas, e muitas vão aplaudi-lo. Terá a arrogância de se mostrar como Deus e se assentar no trono, no meio do Templo, no coração da igreja, para ser adorado como tal.
Seu objetivo, porém, mesmo que de início não o manifeste, será acabar com a igreja, como o cristianismo, por meio de uma religião em que tudo seja válido; em que todas as religiões: budismo, confucionismo, espiritismo e, de modo especial, as mais sofisticadas trazidas pela Nova Era, senão aceitas num grande sincretismo. Só não terá vez o cristianismo, a Igreja verdadeira, a fé cristã.

A Igreja e o cristianismo serão acusados de intolerância, de discriminação. Será dito que ele, com a nação de pecado, trouxe ás pessoas o sentimento de culpa, especialmente em relação ao sexo. Vai-se acusar a Igreja de, em sua história, ter causado a diferença entre os povos e, por conseqüência, todo tipo de intolerância, ódio, guerras, miséria. O Cristianismo e a igreja serão o "bode expiatório".

É terrível, mas muita gente vai deixar levar por essa argumentação e achar que realmente o cristianismo é intolerante, discriminatório, e que a noção de pegado foi o que atrapalhou a tudo e a todos. Deus está nos dando a graça de dizer, antecipadamente, que tudo isso será mentira, a fim de que ninguém caia nessa impostura da qual nos fala o Catecismo da igreja Católica:
"… A impostura religiosa suprema é a do Anticristo, isto é, a de um pseudomessianismo em que o homem se glorifica a si mesmo em lugar de Deus e do seu Messias que veio na carne" ( CIC 375).

E explica:
"Essa impostura anticrística já se esboça no mundo toda vez que se pretende realizar na história a esperança messiânica que só pode realizar-se para além dela através do juízo escatológico… A igreja só entrará na glória do Reino por meio desta derradeira Páscoa, em que seguirá seu Senhor na e sua Morte e Ressurreição ( CIC 376 e 677).

A Igreja vai seguir os passos de Jesus.

"Portanto, o Reino não se realizará por um triunfo histórico da igreja segundo um progresso ascendente, mas por uma vitória de Deus sobre o desencadeamento último do mal, que fará sua esposa descer do céu. O triunfo de Deus sobre a revolta do mal assumirá a forma do juízo Final depois do derradeiro abalo cósmico deste mundo que passa"( CIC 677).

Está no catecismo da igreja Católica e na Bíblia. É doutrina da Igreja una, santa, católica e apostólica , um presente que João Paulo II deu a sua Igreja nestes tempos:

"No fim dos tempos, o Reino de Deus chegará á sua plenitude. Depois do juízo Universal, os justos reinarão para sempre com Cristo, glorificados em corpo e alma, e o próprio universo será renovado. Então, a Igreja será consumada na glória celeste, quando chegar o tempo da restauração de todas as coisas, e com o gênero humano também o mundo todo, que está intimamente ligado ao homem e através dele atinge a sua finalidade, encontrará a sua finalidade, encontrará a sua restauração definitiva em Cristo" ( CIC 1042).

Nós reinaremos com Cristo para sempre, glorificados em corpo e alma, e o próprio universo será renovado:
"Essa renovação misteriosa, que há de transformar a humanidade e o mundo, a Sagrada Escritura a chama de ´céus novos e terra nova´ ( 2Pd 3,13)" ( CIC 1043).

Nós seremos transformados. Nosso corpo será ressuscitado e se tornará Glorioso como o de Jesus e o de Maria . E não somente a humanidade será renovada, mas também este mundo. O mundo é lindo mas, livre do pecado, do mal e do demônio, recobrará sua harmonia e será ainda bonito. Será a realização definitiva do projeto de Deus.

Leia isto:
"Também o universo visível está, portanto, destinado a ser transformado, ´a fim de que o próprio mundo, restaurado no seu primeiro estado, esteja , sem mais nenhum obstáculo, a serviço dos justos´, participando da sua glorificação em Cristo ressuscitado. ´ignoramos o tempo da consumação da terra e da humanidade e desconhecemos a maneira de transformação do universo" ( CIC 1048).

Não sabemos quando, mas temos certeza de que isso vai acontecer, e os sinais dos tempos mostram que isso vai acontecer, e os sinais dos tempos mostram que está próximo! Também não se conhece a maneira como serão transformados este mundo e os nossos corpos, mas serão renovados. Deus prepara para você uma nova morada. Agüente firme! A fúria de satanás será como um vendaval a calar sua boca, a jogá-lo na apostasia e o fazê-lo negar Jesus. Mas você não vai negar, não vai arrefecer, nem se dobrar ou perder a fé, porque está guardando e protegido por aquela que é a Mãe do Senhor e nossa.
Assim como Jesus passou pela morte, a Igreja também passará. Mas isso será momentâneo. Quando o anticristo, o príncipe deste mundo, pensar que venceu, Jesus chegará para destruí-lo com o sopro de seus lábios e aniquilá-lo com o esplendor de sua vinda. Assim como Jesus ressuscitou glorioso, igualmente a Igreja ressuscitará. Nós ressuscitaremos.

Monsenhor Jonas Abib

Livro “Ceus Novos e uma Terra Nova”

(FONTE)

quarta-feira, 5 de março de 2014

Conheça o significado da Quaresma

quaresmaPor que a Igreja utiliza a cor roxa nesse tempo?

Chama-se Quaresma os 40 dias de jejum e penitência que precedem à festa da Páscoa. Essa preparação existe desde o tempo dos Apóstolos, que limitaram sua duração a 40 dias , em memória do jejum de Jesus Cristo no deserto. Durante esse tempo a Igreja veste seus ministros com paramentos de cor roxa e suprime os cânticos de alegria: O "Glória", o "Aleluia" e o "Te Deum".

Na Quaresma, que começa na quarta-feira de cinzas e termina na quarta-feira da Semana Santa, os católicos realizam a preparação para a Páscoa. O período é reservado para a reflexão, a conversão espiritual. Ou seja, o católico deve se aproximar de Deus visando o crescimento espiritual. Nesse tempo santo, a Igreja católica propõe, por meio do Evangelho proclamado na quarta-feira de cinzas, três grandes linhas de ação: a oração, a penitência e a caridade.

Essencialmente, o período é um retiro espiritual voltado à reflexão, onde os cristãos se recolhem em oração e penitência para preparar o espírito para a acolhida do Cristo Vivo, Ressuscitado no Domingo de Páscoa.

Assim, retomando questões espirituais, simbolicamente o cristão está renascendo, como Cristo.

Por que a cor roxa?

A cor litúrgica deste tempo é o roxo que simboliza a penitênica e a contrição. Usa-se no tempo da Quaresma e do Advento.

Nesta época do ano, os campos se enfeitam de flores roxas e róseas das quaresmeiras. Antigamente, era costume cobrir também de roxo as imagens nas igrejas. Na nossa cultura, o roxo lembra tristeza e dor. Isto porque na Quaresma celebramos a Paixão de Cristo: na Via-Sacra contemplamos Jesus a caminho do Calvário

Qual o significado destes 40 dias?

Na Bíblia, o número quatro simboliza o universo material. Os zeros que o seguem significam o tempo de nossa vida na terra, suas provações e dificuldades. Portanto, a duração da Quaresma está baseada no símbolo deste número na Bíblia. Nela, é relatada as passagens dos quarenta dias do dilúvio, dos quarenta anos de peregrinação do povo judeu pelo deserto, dos quarenta dias de Moisés e de Elias na montanha, dos quarenta dias que Jesus passou no deserto antes de começar sua vida pública, dos 400 anos que durou a estada dos judeus no Egito, entre outras. Esses períodos vêm sempre antes de fatos importantes e se relacionam com a necessidade de ir criando um clima adequado e dirigindo o coração para algo que vai acontecer.

O Jejum

A igreja propõe o jejum principalmente como forma de sacrifício, mas também como uma maneira de educar-se, de ir percebendo que, o que o ser humano mais necessita é de Deus. Desta forma se justifica as demais abstinências, elas têm a mesma função. Oficialmente, o jejum deve ser feito pelos cristãos batizados, na Quarta-feira de Cinzas e na Sexta-feira Santa.

Pela lei da igreja, o jejum é obrigatório nesses dois dias para pessoas entre 18 e 60 anos. Porém, podem ser substituídos por outros dias na medida da necessidade individual de cada fiel, e também praticados por crianças e idosos de acordo com suas disponibilidades.

O jejum, assim como todas as penitências, é visto pela igreja como uma forma de educação no sentido de se privar de algo e reverte-lo em serviços de amor, em práticas de caridade. Os sacrifícios, que podem ser escolhidos livremente, por exemplo: um jovem deixa de mascar chicletes por um mês, e o valor que gastaria nos doces é usado para o bem de alguém necessitado.

Qual é a relação entre Campanha da Fraternidade e a Quaresma?

A Campanha da Fraternidade é um instrumento para desenvolver o espírito quaresmal de conversão e renovação interior a partir da realização da ação comunitária, que para os católicos, é a verdadeira penitência que Deus quer em preparação da Páscoa. Ela ajuda na tarefa de colocar em prática a caridade e ajuda ao próximo. É um modo criativo de concretizar o exercício pastoral de conjunto, visando a transformação das injustiças sociais.

Desta forma, a Campanha da Fraternidade é maneira que a Igreja no Brasil celebra a quaresma em preparação à Páscoa. Ela dá ao tempo quaresmal uma dimensão histórica, humana, encarnada e principalmente comprometida com as questões específicas de nosso povo, como atividade essencial ligada à Páscoa do Senhor.

Quais são os rituais e tradições associados com este tempo?

As celebrações têm início no Domingo de Ramos, ele significa a entrada triunfal de Jesus, o começo da semana santa. Os ramos simbolizam a vida do Senhor, ou seja, Domingo de Ramos é entrar na Semana Santa para relembrar aquele momento.

Depois, celebra-se a Ceia do Senhor, realizada na quinta-feira Santa, conhecida também como o lava pés. Ela celebra Jesus criando a eucaristia, a entrega de Jesus e portanto, o resgate dos pecadores.

Depois, vem a missa da Sexta-feira da paixão, também conhecida como Sexta-feira Santa, que celebra a morte do Senhor, às 15h00. Na sexta à noite geralmente é feita uma procissão ou ainda a Via Sacra, que seria a repetição das 14 passagens da vida de Jesus.

No sábado à noite, o Sábado de Aleluia, é celebrada a Vigília Pascal, também conhecida como a Missa do Fogo. Nela o Círio Pascal é acesso, resultando as cinzas. O significado das cinzas é que do pó viemos e para o pó voltaremos, sinal de conversão e de que nada somos sem Deus. Um símbolo da renovação de um ciclo. Os rituais se encerram no Domingo, data da ressurreição de Cristo, com a Missa da Páscoa, que celebra o Cristo vivo.

CNBB - Conferência Nacional dos Bispos do Brasil

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