terça-feira, 8 de dezembro de 2015

A história da Imaculada Conceição

Rezemos-o-Ofício-da-Imaculada-ConceiçãoJá no princípio, quando nossos primeiros pais romperam com Deus pela soberba e desobediência, lançando toda a humanidade nas trevas, Deus misericordiosamente prometeu a salvação por meio de uma “Mulher”.

“Porei ódio entre ti e a mulher, entre a tua descendência e a dela. Esta te ferirá a cabeça, e tu lhe ferirás o calcanhar” (Gn 3, 15).

Se foi por meio de uma mulher (Eva) que a serpente infernal conseguiu fazer penetrar seu veneno mortal na humanidade, também seria por meio de outra mulher (Maria, a nova Eva) que Deus traria o remédio da salvação.

“Na plenitude dos tempos”, diz o Apóstolo, “Deus enviou Seu Filho ao mundo nascido de uma mulher” (Gl 4,4). No ponto central da história da salvação se dá um acontecimento ímpar em que entra em cena a figura de uma Mulher. O mesmo Apóstolo nos lembra: “Não foi Adão o seduzido, mas a mulher” (1Tm 2,14); portanto, devia ser também por meio da mulher que a salvação chegasse à terra.

Para isso foi preciso que Deus preparasse uma nova Mulher, uma nova Virgem, uma nova Eva, que fosse isenta do pecado original, que pudesse trazer em seu seio virginal o autor da salvação; que pudesse “enganar” a serpente maligna, da mesma forma que esta enganara Eva.

O pecado original, por ser dos primeiros pais, passa por herança, por hereditariedade, a todos os filhos, e os faz escravos do pecado, do demônio e da morte.

O Catecismo da Igreja Católica nos ensina: “O gênero humano inteiro é em Adão como um só corpo de um só homem. Em virtude desta “unidade do gênero humano” todos os homens estão implicados no pecado de Adão” (n. 404).

A partir do pecado de Adão, toda criatura entraria no mundo manchada pelo pecado original. O que fez então Jesus para poder ter Sua Mãe bela, santa e imaculada? Ele quebrou a tábua da lei do pecado original e jurou que, no lenho da Cruz, com Seu Sangue e Sua Morte conquistaria a Imaculada Conceição de Sua Virgem Mãe.

São Leão Magno, Papa do século V e doutor da Igreja, afirma: “O antigo inimigo, em seu orgulho, reivindicava com certa razão seu direito à tirania sobre os homens e oprimia com poder não usurpado aqueles que havia seduzido, fazendo-os passar voluntariamente da obediência aos mandamentos de Deus para a submissão à sua vontade. Era portanto justo que só perdesse seu domínio original sobre a humanidade sendo vencido no próprio terreno onde vencera” 4.

Como nenhum ser humano era livre do pecado e de Satanás foi então preciso que Deus preparasse uma mulher livre, para que Seu Filho fosse também isento da culpa original, e pudesse libertar Seus irmãos.

Assim, o Senhor antecipou para Maria, a escolhida entre todas, a graça da Redenção que seu Filho conquistaria com Sua Paixão e Morte. A Imaculada Conceição de Nossa Senhora foi o primeiro fruto que Jesus conquistou com Sua morte. E Maria foi concebida no seio de sua mãe, Santa Ana, sem o pecado original.

Como disse o cardeal Suenens: “A santidade do Filho é causa da santificação antecipada da Mãe, como o sol ilumina o céu antes de ele mesmo aparecer no horizonte” 5.

O cardeal Bérulle explica assim: “Para tomar a terra digna de trazer e receber seu Deus, o Senhor fez nascer na terra uma pessoa rara e eminente que não tomou parte alguma no pecado do mundo e está dotada de todos os ornamentos e privilégios que o mundo jamais viu e jamais verá, nem na terra e nem no céu” (Tm, p. 307).

O Anjo Gabriel lhe disse na Anunciação: “Ave, cheia de graça…” (Lc 1,28). Nesse “cheia de graça”, a Igreja entendeu todo o mistério e dogma da Conceição Imaculada de Maria. Se ela é “cheia de graça”, mesmo antes de Jesus ter vindo ao mundo, é porque é desde sempre toda pura, bela, sem mancha alguma; isto é, Imaculada. E assim Deus preparou a Mãe adequada para Seu Filho, concebido pelo Espírito Santo diretamente (Lc 1,35), sem a participação de um homem, o qual transmitiria ao Filho o pecado de origem. Além disso, não haveria na terra sêmen humano capaz de gerar o Filho de Deus.

Desde os primeiros séculos o Espírito Santo mostrou à Igreja essa verdade de fé. Já nos séculos VII e VIII apareceram alguns hinos e celebrações em vários conventos do Oriente em louvor à Imaculada Conceição.

Em 8 de dezembro de 1854 o Papa Pio IX declarava dogma de fé a doutrina que ensinava ter sido a Mãe de Deus concebida sem mancha por um especial privilégio divino.

Na Bula “Ineffabilis Deus”, o Papa diz: “Nós declaramos, decretamos e definimos que a doutrina segundo a qual, por uma graça e um especial privilégio de Deus Todo Poderoso e em virtude dos méritos de Jesus Cristo, salvador do gênero humano, a bem-aventurada Virgem Maria foi preservada de toda a mancha do pecado original no primeiro instante de sua conceição, foi revelada por Deus e deve, por conseguinte, ser crida firmemente e constantemente por todos os fiéis” (Tm, p. 305).

É de notar que em 1476 a festa da Imaculada foi incluída no Calendário Romano. Em 1570, o papa Pio V publicou o novo Ofício e, em 1708, o papa Clemente XI estendeu a festa a toda a Cristandade tornando-a obrigatória.

Neste seio virginal, diz S. Luiz, Deus preparou o “paraíso do novo Adão” (Tvd, n. 18).

Santo Afonso de Ligório, doutor da Igreja e ardoroso defensor de Maria, falecido em 1787, disse: “Maria tinha de ser medianeira de paz entre Deus e os homens. Logo, absolutamente não podia aparecer como pecadora e inimiga de Deus, mas só como Sua amiga, toda imaculada” (Gm, p. 209). E ainda: “Maria devia ser mulher forte, posta no mundo para vencer a Lúcifer, e portanto devia permanecer sempre livre de toda mácula e de toda a sujeição ao inimigo” (GM, p. 209).

S. Bernardino de Sena, falecido em 1444, diz a Maria: “Antes de toda criatura fostes, ó Senhora, destinada na mente de Deus para Mãe do Homem Deus. Se não por outro motivo, ao menos pela honra de seu Filho, que é Deus, era necessário que o Pai Eterno a criasse pura de toda mancha” (GM, p. 210).

Diz o livro dos Provérbios: “A glória dos filhos são seus pais” (Pr 17,6); logo, é certo que Deus quis glorificar Seu Filho humanado também pelo nascimento de uma Mãe toda pura.

S. Tomas de Vilanova, falecido em 1555, chamado de São Bernardo espanhol, disse em sua teologia sobre Nossa Senhora: “Nenhuma graça foi concedida aos santos sem que Maria a possuísse desde o começo em sua plenitude” (Gm, p. 211).

S. João Damasceno, doutor da Igreja falecido em 749, afirma: “Há, porém, entre a Mãe de Deus e os servos de Deus uma infinita distância” (Gm, p. 211).

E pergunta S. Anselmo, bispo e doutor da Igreja falecido em 1109, e grande defensor da Imaculada Conceição: “Deus, que pode conceder a Eva a graça de vir ao mundo imaculada, não teria podido concedê-la também a Maria?”

“A Virgem, a quem Deus resolveu dar Seu Filho Único, tinha de brilhar numa pureza que ofuscasse a de todos os anjos e de todos os homens e fosse a maior imaginável abaixo de Deus” (GM, p. 212).

É importante notar que S. Afonso de Ligório afirma: “O espírito mau buscou, sem dúvida, infeccionar a alma puríssima da Virgem, como infeccionado já havia com seu veneno a todo o gênero humano. Mas louvado seja Deus! O Senhor a previniu com tanta graça, que ficou livre de toda mancha do pecado. E dessa maneira pode a Senhora abater e confundir a soberba do inimigo” (GM p. 210).

Nenhum de nós pode escolher sua Mãe; Jesus o pode. Então pergunta S. Afonso: “Qual seria aquele que, podendo ter por Mãe uma rainha, a quisesse uma escrava? Por conseguinte, deve-se ter por certo que a escolheu tal qual convinha a um Deus” (GM, p. 213).

A carne de Jesus é a mesma carne de Maria e Seu sangue é o mesmo de Maria; logo, a honra do Filho de Deus exige uma Mãe Imaculada.

Quando Deus eleva alguém a uma alta dignidade, também o torna apto para exercê-la, ensina S. Tomás de Aquino. Portanto tendo eleito Maria para Sua Mãe, por Sua graça e tornou digna de ser livre de todo o pecado, mesmo venial, ensinava S. Tomás; caso contrário, a ignomínia da Mãe passaria para o Filho (GM, p. 215).

Nesta mesma linha afirmava S. Agostinho de Hipona, Bispo e doutor da Igreja falecido em 430, já no século V:

“Nem se deve tocar na palavra “pecado” em se tratando de Maria; e isso por respeito Àquele de quem mereceu ser a Mãe, que a preservou de todo pecado por sua graça” (GM, p. 215).

Maria é aquilo que disse o salmista: “O Altíssimo santificou seu tabernáculo; Deus está no meio dele” (Sl 45,5); ou ainda: “A santidade convém à Vossa casa, Senhor” (Sl 42,6).

Pergunta S. Cirilo de Alexandria (370-444), bispo e doutor da Igreja: “Que arquiteto, erguendo uma casa de moradia, consentiria que seu inimigo a possuísse inteiramente e habitasse?” (GM, p. 216). Assim Deus jamais permitiu que seu inimigo tocasse naquela em que Ele seria gerado homem.

S. Bernardino de Sena ensina que Jesus veio para salvar a todos, inclusive Maria. Contudo, há dois modos de remir: levantando o decaído ou preservando-o da queda. Este último modo Deus aplicou a Maria.

Se é pelo fruto que se conhece a árvore (Mt 7,16-20), então, como o Cordeiro foi sempre imaculado, sempre pura também foi Sua Mãe, é a conclusão dos santos.

Afirma S. Afonso: “Se conveio ao Pai preservar Maria do pecado, porque Lhe era Filha, e ao Filho porque Lhe era Mãe, está visto que o mesmo se há de dizer do Espírito Santo, de quem era a Virgem Esposa” (GM, p. 218).

“‘O Espírito Santo descerá sobre ti’ (Lc 1,35). Ela é portanto o templo do Senhor, o sacrário do Espírito Santo, porque por virtude dele se tornou Mãe do Verbo Encarnado”, afirmou S. Tomás (GM, p. 218).

Podendo o Espírito Santo criar Sua Esposa toda bela e pura, é claro que assim o fez. É dela que fala: “És toda formosa minha amiga, em ti não há mancha original” (Ct 4,7). Chama ainda Sua Esposa de “jardim fechado e fonte selada” (Ct 4,12), onde jamais os inimigos entraram para ofendê-la.

“Estão comigo um sem número de virgens, mas uma só é a minha pomba, minha imaculada” (Ct 6,8-9).

“Ave, cheia de graça!” Aos outros santos a graça é dada em parte, contudo a Maria foi dada em sua plenitude. Assim “a graça santificou não só a alma mas também a carne de Maria, a fim de que com ela revestisse depois o Verbo Eterno”, afirma S. Tomás (GM, p. 220).

É interessante notar que 104 anos antes de o Papa Pio IX proclamar o dogma da Imaculada Conceição da Virgem Maria, Santo Afonso já escrevera seu famoso livro As glórias de Maria, em 1750, no qual defendia com excelência o dogma, firmado no unânime testemunho dos Santos Padres.

O dogma da Imaculada Conceição de Maria é um marco fundamental da fé porque, entre outras coisas, define claramente a realidade do pecado original, às vezes contestado por alguns teólogos modernos, em discordância com o Magistério da Igreja.

Foi o mesmo Papa Pio IX que, juntamente com o Concilio Vaticano I, realizado em 1870, proclamou o dogma da infalibilidade papal, questionado por muitos na época.

Enquanto os padres conciliares discutiam a conveniência da definição, levantaram-se em todo o mundo, principalmente na Alemanha e França, muitas críticas contrárias. Os jornais e as revistas enchiam suas páginas com os mais grosseiros ataques contra o Papa e os Bispos.

Muito preocupado, o Cardeal Antonielli, Secretário de Estado reuniu um grupo de Cardeais e foi com eles à presença do Papa Pio IX, suplicando-lhe que adiasse a definição dogmática da infalibilidade papal para o bem da Igreja.

Pio IX ouviu com calma a exposição do cardeal, e em tom decidido, iluminado pelo Espírito Santo e guiado por Maria, respondeu: “Comigo está a Imaculada. Eu vou adiante”.

E o Concilio Vaticano I definiu o dogma da infalibilidade papal.

Que bela expressão que cada um de nós pode repetir nas horas da luta: “Comigo está a Imaculada…”

O Catecismo da Igreja Católica afirma com toda a certeza: “Na descendência de Eva, Deus escolheu a Virgem Maria para ser a Mãe de Seu Filho. ‘Cheia de graça’, ela é o fruto mais excelente da Redenção desde o primeiro instante de sua concepção; foi totalmente preservada da mancha do pecado original e permaneceu pura de todo pecado pessoal ao longo de sua vida” (n. 508).

Além de todas as razões acima apresentadas que nos dão a certeza da Imaculada Conceição, a própria Virgem Maria, em pessoa, quis confirmar este dogma. Foi quando em 25 de março de 1858, na festa da Anunciação, revelou seu Nome a Santa Bernadette, mas aparições de Lourdes. Disse-lhe ela: “Eu sou a Imaculada Conceição”.

A partir daí, o padre Peyramale, que era o Cura de Lourdes, passou a acreditar nas aparições de Maria à pobre Bernadette, e com ele toda a Igreja .

Em 27 de novembro de 1830, Nossa Senhora apareceu a S. Catarina Labouré, na Capela das filhas da Caridade de São Vicente de Paulo, em Paris, e lhe pediu para mandar cunhar e propagar a devoção à chamada “Medalha Milagrosa”, precisamente com esta inscrição: “Ó Maria concebida sem pecado, rogai por nós que recorremos a vós”.

Quantas graças essa devoção tem espalhado pelo mundo!

Maria, por sua Imaculada Conceição, foi o marco inicial de nossa salvação, e será sempre aquela que nos levará à fonte da mesma salvação, Jesus Cristo, o esplendor da Verdade.

Hoje, mais do que antes, é preciso fazer-lhe muitas vezes aquela famosa oração que os cristãos do Egito já lhe dirigiam no século III: “Debaixo de vossa proteção nos refugiamos, ó Santa Mãe de Deus. Não desprezeis nossas súplicas em nossas necessidades, mas livrai-nos sempre de todos os perigos, ó Virgem gloriosa e bendita. Maria, Imaculada, rogai por nós”.

Escutemos o que nos diz São Bernardo (1090-1153), abade e doutor da Igreja, o poeta apaixonado de Maria, em seu famoso “Sermão sobre o Missus est”: “Ó tu, quem quer que sejas, que nas correntezas deste mundo te apercebas: antes ser arrastado entre procelas e tempestades do que andando sobre a terra, desviares os olhos desta Estrela, se não queres afogar-te nessas águas.

Se levantam os ventos das tentações, se cais nos escolhos dos grandes sofrimentos, olha a Estrela, invoca Maria.

Se as iras, ou avareza, ou os prazeres carnais se abaterem sobre tua barca, olha para Maria.

Se, perturbado pelas barbaridades de teus crimes, se amedrontado pelo horror do julgamento, começas a ser sorvido em abismos de tristeza e desespero, pensa em Maria.

Nos perigos, nas angústias, nas dúvidas, pensa em Maria, invoca Maria. Que ela não se afaste de teus lábios, não se afaste de teu coração.

E, para que possas pedir o auxílio de sua oração, não esqueças o exemplo de sua vida. Seguindo-a, não te desviarás; suplicando-lhe, não desesperarás; pensando nela, não errarás. Se ela te segurar, não cairás; se te proteger, não terás medo; se ela te conduzir, não te fatigarás; se estiver do teu lado, chegarás ao fim. E assim experimentarás em ti mesmo quanto é verdade aquilo que foi dito: ‘E o nome da Virgem era Maria” .

segunda-feira, 30 de novembro de 2015

Advento: Aplanai os caminhos do Senhor

Não é suficiente reconhecer a urgência de aplainar os caminhos. É preciso disposição ao assumir propósitos que norteiem e reeduquem para o sentido de justiça e paz.

O tempo do Advento, sábio e indispensável período de preparação, enriquece a celebração do Natal, livrando-a das superficialidades. Importante oportunidade para o aprimoramento humano e espiritual, faz ecoar este convite irrecusável: “Aplainai os caminhos!”. A competência educativa e o conhecimento refinado de política fazem do profeta Isaías porta-voz de uma indicação preciosa para orientar os passos na superação dos mais difíceis desafios. Uma preciosidade que reluz quando se consideram os cenários da sociedade contemporânea. O convite para aplainar os caminhos é o remédio e a indispensável reação às inúmeras crateras que se abrem na vida do povo, como consequência do absurdo comprometimento do bem comum e das lamentáveis negociações da justiça.

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Há rombos nas instituições, nas empresas, nas igrejas, nas famílias, nas organizações, na política e também no fundo do coração das pessoas. Esse mapa complexo revela tantas marcas nesses corações, que impedem o traçado de um equilibrado percurso. A construção cotidiana da vida fica sempre aquém das metas mínimas necessárias para a construção da paz, do grande bem que só se alcança quando a cidadania e a vivência da fé são assumidas como compromissos prioritários. E na contramão do grande sonho de se concretizar um projeto humanitário de paz, as estatísticas revelam aumento da violência, situando a sociedade brasileira entre as que vivem em pé de guerra, com incidências de mortes até mais elevadas.

O convite feito por Isaías – “Aplainai os caminhos!”– chega mais próximo de todos na voz clamante do deserto, pela figura inigualável de João Batista, na inauguração do tempo do Novo Testamento, quando o profeta anuncia a chegada de Jesus Cristo, o Príncipe da Paz, Senhor e Salvador.

Assim, este tempo precisa ser entendido como campanha para capacitar todos na missão de “construtores” desta paz desafiada não só pelos quadros de violências fatais e absurdas, como também pela busca desarvorada e mesquinha pelo dinheiro. Conduta que envenena as relações pessoais e cidadãs com a corrupção, que envergonha a nação como, lamentavelmente, desenha-se e emoldura-se o horizonte da sociedade brasileira.

Contudo, não é suficiente reconhecer a urgência de aplainar os caminhos. É preciso disposição ao assumir propósitos que norteiem e reeduquem para o sentido de justiça e paz. Proposta de vida que se constrói a partir de princípios amplamente conhecidos, mas cada vez menos vividos e que, de modo pedagógico, como fez nosso Deus, não nos custa recordar. Não é demais pautar um decálogo, não como ordem, mas um convite ao trabalho na urgente tarefa de restabelecer a paz entre nós:

1. Respeitar, pelo princípio da igualdade, incondicionalmente, cada pessoa;
2. Preservar o ambiente para superação de danos à convivência humana;
3. Lutar pelo respeito dos Direitos Humanos;
4. Investir para que cada família seja comunidade de paz;
5. Trabalhar e solidariamente repartir, para que a ninguém falte o necessário;
6. Desmantelar os esquemas geradores de conflitos, desde os desarmamentos até os litígios pessoais que comprometem o coração da paz que cada pessoa deve ter;
7. Perdoar sempre, porque não há justiça sem perdão nem paz sem amor;
8. Professar e testemunhar a fé como compromisso de fomentar a solidariedade fraterna;
9. Gostar da verdade e por ela reger diálogos e relacionamentos para ser obreiro da paz;
10. Preservar a criação pelo tratamento civilizado dos seus bens, direito de todos.

E faço aqui outro convite, desta vez, à reflexão: Você escreveria um decálogo diferente? E qual seria a sua proposta? Indispensável é assumir propósitos que possam nos levar ao amor e à paz, a uma experiência verdadeira de Natal, atendendo ao pertinente convite deste tempo: “Aplanai os caminhos!”.

(Fonte)

domingo, 29 de novembro de 2015

Tempo do Advento

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Novo ano litúrgico

No próximo dia 27 de novembro, a Igreja inicia o novo Ano Litúrgico com a celebração do 1º Domingo do Advento. Diferentemente do ano civil, com o Tempo do Advento, a Liturgia da Igreja inicia um novo ciclo para as leituras bíblicas dominicais, do ano B, no conjunto, marcadas pelo evangelista Marcos.

Se o ano A, em certo sentido, o ano eclesiológico (pela presença da teologia mateana da Igreja como verdadeiro Israel), podemos dizer que o ano B é, principalmente, cristológico, pois é caracterizado pela meditação de Marcos sobre o caráter messiânico de Jesus e do Reino que ele inaugura, ainda que de modo inesperado e não manifesto. Marcos é também chamado o evangelho querigmático, porque nele transparece claramente a estrutura do querigma ou anúncio da atuação, morte e ressurreição do Cristo, como era proclamado no início da pregação cristã.

Tempo de Advento no Ano B

O Advento do ano B parece caracterizado sobretudo pela idéia do encontro com Deus, a realização da promessa de sua irrestrita presença junto a nós. O primeiro domingo sugere uma atitude de preparação geral para o encontro com o Senhor, no fim dos tempos, no “último dia”. Isso, porém, nada tem de trágico. Pelo contrário, a liturgia transborda de confiante esperança: “Se rasgasses os céus!” A vinda do Juiz e Senhor da História não é, para os cristãos, a destruição da História, mas seu arremate. Os cristãos estão vigiando para, por sua dedicação aqui e agora, participarem do Reino transcendente.
O segundo passo do encontro é a conversão, ou seja, a transformação da vida, com vistas ao grande encontro final. A liturgia evoca aqui a pregação escatológica do Batista e as imagens isaianas da terraplanagem do caminho para o Deus libertador. No 3º domingo já ressoa a alegria por causa da presença de Deus, testemunhada pelo Batista e pelo arauto de Is 61, que anuncia a boa-nova aos pobres. No 4º domingo – o domingo de Maria – são confrontados o “sim” de Deus (promessa) e o “sim” da pessoa humana (Maria, “fiat”). Realiza-se a promessa do Messias da linhagem de Davi, graças à disponibilidade da Serva.

(1) Konins, J., Liturgia Dominical, Vozes, Petrópolis, 2004, p.33.
(2) Idem.

(Fonte)

domingo, 4 de outubro de 2015

São Francisco de Assis, o santo que desposou a pobreza

Neste dia, fazemos memória a São Francisco de Assis, o mais santo dos italianos, que renunciou toda a riqueza para desposar a “Senhora Pobreza”

São Francisco de Assis (7)Francisco nasceu em Assis, na Úmbria (Itália) em 1182. Jovem orgulhoso, vaidoso e rico, que se tornou o mais italiano dos santos e o mais santo dos italianos. Com 24 anos, renunciou a toda riqueza para desposar a “Senhora Pobreza”.

Aconteceu que Francisco foi para a guerra como cavaleiro, mas doente ouviu e obedeceu a voz do Patrão que lhe dizia: “Francisco, a quem é melhor servir, ao amo ou ao criado?”. Ele respondeu que ao amo. “Porque, então, transformas o amo em criado?”, replicou a voz. No início de sua conversão, foi como peregrino a Roma, vivendo como eremita e na solidão, quando recebeu a ordem do Santo Cristo na igrejinha de São Damião: “Vai restaurar minha igreja, que está em ruínas”.

Partindo em missão de paz e bem, seguiu com perfeita alegria o Cristo pobre, casto e obediente. No campo de Assis havia uma ermida de Nossa Senhora chamada Porciúncula. Este foi o lugar predileto de Francisco e dos seus companheiros, pois na Primavera do ano de 1200 já não estava só; tinham-se unido a ele alguns valentes que pediam também esmola, trabalhavam no campo, pregavam, visitavam e consolavam os doentes. A partir daí, Francisco dedica-se a viagens missionárias: Roma, Chipre, Egito, Síria… Peregrinando até aos Lugares Santos. Quando voltou à Itália, em 1220, encontrou a Fraternidade dividida. Parte dos Frades não compreendia a simplicidade do Evangelho.

Em 1223, foi a Roma e obteve a aprovação mais solene da Regra, como ato culminante da sua vida. Na última etapa de sua vida, recebeu no Monte Alverne os estigmas de Cristo, em 1224.

Já enfraquecido por tanta penitência e cego por chorar pelo amor que não é amado, São Francisco de Assis, na igreja de São Damião, encontra-se rodeado pelos seus filhos espirituais e assim, recita ao mundo o cântico das criaturas. O seráfico pai, São Francisco de Assis, retira-se então para a Porciúncula, onde morre deitado nas humildes cinzas a 3 de outubro de 1226. Passados dois anos incompletos, a 16 de julho de 1228, o Pobrezinho de Assis era canonizado por Gregório IX.

São Francisco de Assis, rogai por nós!

terça-feira, 15 de setembro de 2015

Algumas "dicas" para o uso da Bíblia na catequese (III)

ADOLESCÊNCIA: pelos 12-15 anos:

a) Características: são visíveis a insegurança, a instabilidade e a aguda emotividade; retirada ao próprio mundo interior - com o sofrimento que esta solidão traz; sensação de não ser compreendido e de sequer ser capaz de compreender; tempo de afirmação da própria personalidade; é contra todo autoritarismo; desconfia do adulto - mas precisa dele; idade de interesse pelo sexo e do amor; das cartas pessoais e dos diários íntimos(meninas); dos conflitos na família; de preocupação pelo futuro (vocação).

b) Quanto à Bíblia: atenção especial ao aspecto afetivo, emotivo. Há muita identificação com personagens que se impõem por seu humanismo. Especial atenção despertam os profetas, por sua crítica às situações de injustiça ou de incoerência. São importantes os textos que encaram o misterioso da vida e seu sentido mais profundo; os que orientam a busca desse sentido, inclusive do ponto de vista da vocação (Mt 5,7).

Será interessante tomar, agora, unidades maiores: parábolas, pequenos livros como Jonas, Judite, Amós.

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FINAL DA ADOLESCÊNCIA: pelos 15-19 anos:

a) Características: há especial interesse pela experiência dos outros e com os outros: a consciência crítica faz com que se posicione diante dos males e das contradições do mundo.

b) Quanto à Bíblia: tempo de tomar textos mais difíceis, profundos. Pode-se abordar qualquer texto Bíblico. Será bom proporcionar uma visão de conjunto da Bíblia, colocando os problemas com que a Bíblia nos quer confrontar.

c) Sugestão de textos:

            -Gn 1-11 visto como reflexão sobre o nosso hoje( o homem no mundo; problemas de relacionamento, pecado e salvação).

            -Narrativas da infância de Jesus.

            -Narrativas de milagres.

            -Jó, Eclesiastes, Evangelho de Marcos, Cartas de Paulo(1 Cor).

            Vale a pena chamar a atenção também para a Linguagem da Bíblia. Descobrir a linguagem como parte de um conjunto, como sintoma de uma situação e, ao mesmo tempo, instrumento, seja de opressão ou de libertação.

ALGUNS CUIDADOS:

            -Não usar a Bíblia só por curiosidade, passatempo piedoso, sem entrar na dinâmica do povo que a escreveu e na da nossa comunidade.

            -Não se usa a Bíblia para domesticar crianças e adultos em nome de Deus. A obediência a fé é outra coisa.

            -Cada frase da Bíblia está dentro de um contexto. Não deve-se usar frases pescadas cá e acolá e isolados do seu contexto para impor uma ideia, um pensamento.

            -Na Bíblia o único herói é Deus. Cuidado para não elevar certos personagens à dimensão de super homens, sem defeitos.

            -O único jeito de ler a Bíblia que a Igreja condena é a leitura fundamentalista, que lê tudo ao pé da letra; se aparece algo estranho, invoca-se o poder de Deus, e pronto.

Equipe do Catequese Hoje

(Fonte)

segunda-feira, 14 de setembro de 2015

Algumas "dicas" para o uso da Bíblia na catequese (II)

INFÂNCIA: pelos 7-8 anos:

a) Características da idade: fase marcante no desenvolvimento humano; ainda muito concentrada no seu “eu”; sente enorme necessidade de estima, de amor; aberta à contemplação, à admiração; gosta de ouvir o silêncio; aprecia símbolos, a expressão corporal, os bichos, tudo o que é vida; gosta de saber fazer as coisas, de rir e brincar, de aprender e decorar.

b) Quanto à imagem de Deus: prevalece a imagem do Deus grande, forte, que tudo sabe e pode, justo, santo, bom: do Deus da criação e dos milagres.

c) Quanto à Bíblia: A criança está na fase de alfabetização: boa ocasião para apresentar-lhe a Bíblia como livro bonito, importante, que os homens apreciam mais que qualquer outro. Pode-se contar como é que ela apareceu na vida do povo, como ela continua sendo importante para as pessoas aprenderem a resolver seus problemas. Usar cartazes, desenhos, expressão corporal. Deixe que as crianças vejam, toquem, perguntem, dêem palpite, façam.

Conte histórias de enredo curto, mantendo a tensão até o fim, narrativas simples, distinguindo claramente entre o bem e o mal. Evitar preconceitos a respeito de pessoas e tipos. O sofrimento e o mal, podem e devem ser abordados, mas de modo a inspirar confiança; a história terminará com a vitória do bem.

Cuidado com os aspectos chocantes da mentalidade infantil: histórias como a de Herodes(matança de bebês), de Caim(que mata o irmão), os pormenores da paixão de Jesus e outros textos semelhantes, são traumatizantes nesta idade. Enfim, narrativas bíblicas que impressionam negativamente a criança e amedrontam podem provocar antipatia pela Bíblia durante longos anos.

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d) Sugestão de texto

-histórias de Abraão, Zaqueu, principalmente falemos de Jesus, amigo dos pobres e pequenos; de suas atitudes; de sua oração, de seus amigos.

-textos contemplativos: frases dos salmos e dos Evangelhos que exprimem alegria, louvor, agradecimento, confiança. Um salmo inteiro será cansativo demais, por isso, devemos escolher as frases mais falantes.

-textos sapienciais: dois excelentes repertórios são o Livro dos Provérbios e o Eclesiástico (não confundir com Eclesiastes que é muito pesado para essa idade).

FINAL DA INFÂNCIA: pelos 9-10 anos:

a) características: viva, ativa; interessa por aventuras, viagens, ação; gosta de ler, de estudar, de aprender; está mais socializada, o que lha dá mais segurança; quer saber os porquês - se o fato aconteceu mesmo; quer coisas concretas (não está mais ligado à linguagem poética, lendas e fábulas).

b) Quanto à Bíblia: tempo favorável para boas informações sobre o livro: como foi escrito, quando, por quem, para que, diversidade dos escritos; informações sobre o povo, a terra, os costumes; tempo de familiarizar-se com nomes e lugares da Bíblia; tempo de manusear a Bíblia: saber encontrar livro, capítulo e versículo; agora, mais que o desenho, serão apreciadas a montagem e a colagem de figuras; a expressão corporal será substituída pela encenação - não mera repetição do texto, mas a sua atualização.

c) Sugestão de textos: deverão ser concretos, movimentados. Boa ocasião para aprofundar a vida adulta de Jesus. Nos Atos encontraremos bons textos sobre comunidades primitivas.

Fala-se de Deus criador, da sua grandeza, conforme a Bíblia nos fala, mas sem usar a linguagem simbólica própria do Gênesis 1 e 2. Esses textos são difíceis para essa idade. Eles exigem uma boa formação do catequista também. Mas, são textos para serem usados com os jovens e não com crianças. Por enquanto, fala-se de Deus criador sem usar esses textos.

Os relatos de milagres e as parábolas de Jesus, ao contrário do que em geral se pensa, não são os mais indicados. A criança pode ficar com uma imagem deturpada de Jesus, como se ele fosse um mágico, parecido com os dos desenhos da televisão. Os livros de catequese mais atualizados não usam essas narrativas.

PRÉ-ADOLESCÊNCIA: pelos 11-12 anos:

a) Características: mundo infantil começa a desmoronar-se: questiona tudo; surge a consciência das próprias limitações; há uma nova volta para o próprio “eu”; é a época dos grupos solidários; da imitação dos adultos. Devido a uma série de fatores, principalmente os meios de comunicação social, está fase tem começado antes dos 11 anos.

b) Textos bíblicos: numa linha mais refletida, tomem-se as figuras de Jesus, Jeremias. Ainda não é tempo para anjos e demônios, lendas e insistência em milagres para não reforçar a mentalidade mágica, própria da idade.

(Continua…)

Equipe do Catequese Hoje

(Fonte)

domingo, 13 de setembro de 2015

Algumas "dicas" para o uso da Bíblia na catequese (I)

1. DICAS DE INÍCIO - sobre o uso da Bíblia na catequese é importante saber:

a) Respeitar a interação vida-Bíblia. Que também a criança, o adolescente, aprenda a ler a Bíblia a partir da vida e em função dela. Trabalhar com a Bíblia sem ligá-la com a vida é como querer utilizar um aparelho elétrico desligado da eletricidade: não funciona! A Bíblia brotou da vida de um povo e para que seja captada em seu verdadeiro sentido tem de estar ligada à vida do grupo que a lê, reflete e reza a partir dela.

O catequista precisa ter uma boa formação Bíblica para não fazer uma leitura fundamentalista, ou seja, ler tudo ao pé da letra. Como vimos nos encontros anteriores é preciso descobrir o que o texto está dizendo, que linguagem o autor utilizou para dar seu recado.

b) Não dizer hoje o que teremos de desdizer amanhã. Quando o catequista não sabe responder o que a criança perguntou, é bom dizer que não sabe e que dará a resposta depois.

c) Sempre que possível, não só falar da Bíblia, mas dar-lhe a palavra.

poder-da-palavra-de-deus

2. ESCOLHA DOS TEXTOS BÍBLICOS

Não vamos nos deter a elencar um monte de critérios, achamos mais interessante, neste momento, nos prendermos a um critério básico, que iluminará todos os demais: é a questão da gradualidade. Vejamos:

"Uma certa manhã um fazendeiro montou a cavalo e foi inspecionar suas roças. Chegando lá viu os pés de milho todos muito bonitos, mas ainda muito pequenos. De repente, pôs-se a gritar com os colonos: “Como é que vocês não fazem nada para ajudar meu milho a crescer mais depressa?”. Apeou e , com as duas mãos, começou a puxar e espichar os pezinhos de milho, um por um. De noite, voltou para casa. Estava exausto! Mas comentava: “O dia foi puxado, mas valeu: ajudei o nosso milho a crescer”. No dia seguinte o milharal estava todo ressequido. Morto.

Com as pessoas humanas acontece a mesma coisa. Tudo se dá no tempo certo. E este crescimento às vezes é lento. O catequista deve saber respeitar este ritmo, dar tempo ao tempo.

Quando formos trabalhar com um texto bíblico na catequese devemos estar atentos:

1º - ao linguajar do texto:  ver se tem palavras difíceis que precisam ser substituídas.

2º - à experiência de vida do catequizando: entrar em sintonia com a situação que estão vivendo no momento( dor, alegria, luto, festa, esperança, temor...); procurar conhecer o catequizando, o que pensa, vive, sente... A criança evolui, passa de uma mentalidade mágica para outra cada vez mais concreta, crítica, feita de curiosidade e indagação. A leitura Bíblica também terá que evoluir.

3º - à sua maturidade na fé: é importante não esquecer que a criança, o adolescente, o jovem, estão num processo de iniciação a vida de fé. É preciso ir devagar, não podemos usar textos que ainda não estão à altura dos catequizandos, que são difíceis demais.

4º - às prioridades: “Tudo é bom, mas nem tudo é bom para todos aqui e agora”. 

Como fazer uma catequese Bíblica?

Vamos tratar sobre como transmitir a mensagem da Bíblia.

1. Ter bem clara a mensagem que queremos transmitir, a atitude evangélica que queremos despertar. 

2. Levar em conta o perfil do catequizando: se é criança, jovem ou adulto, qual sua situação de vida, sua cultura, suas experiências. Cada grupo é diferente, como também cada catequizando tem suas próprias experiências. Devemos estar atentos e saber escutar o que eles nos dizem a respeito da sua própria realidade.

3. Procurar os meios, as técnicas que podem proporcionar uma melhor assimilação da mensagem.

4. Não pode faltar o aspecto da vivência concreta que resulta da reflexão feita em grupo.

Algumas notas pedagógicas

Os pequenos

Para os pequenos trata-se mais de uma formação bíblica remota. É importante que a criança se sinta segura com Deus, sinta sua presença amorosa.

É importante experimentar o silêncio, a admiração já tão natural para ela. A criança, facilmente, chega a admirar e escutar Deus, quando há alguém que a toma pela mão. Gosta de rezar pequenos trechos dos salmos com expressão corporal e gestos.

Podemos fazê-la sentir a importância do Livro Sagrado mediante uma pequena procissão, tratando com respeito a Bíblia. Já podemos contar alguns fatos da vida de Jesus, mas o Primeiro Testamento ainda não deve ser abordado. Muitas vezes, são contadas às crianças as narrações dos primeiros capítulos do Livro de Gênesis, justamente por serem "fantásticas". Muitas vezes são apresentadas do ângulo de um Deus que castiga e quer pôr fim à humanidade. Tais narrações foram escritas para adultos a fim de mostrar que a infidelidade à Aliança traz suas consequências para a humanidade. A criança ainda não chegou a essa experiência. Pode ficar amedrontada.

Não apresentemos nunca o Deus que castiga. Não é a mensagem para a criança pequena.

(continua...)

Equipe do Catequese Hoje

(FONTE)

sexta-feira, 11 de setembro de 2015

Como o Povo da Bíblia conta sua história (III)

Vários gêneros literários

Como já falamos, em um livro da Bíblia encontramos estilos "menores". Vamos ver alguns.

A poesia

Está amplamente presente nos diversos textos, especialmente nos Sal­mos, no livro Cântico dos Cânticos, no livro de Isaías etc.

Listas

São as genealogias, listas das descendências de povos e importantes personagens.

Leis e Normas

Os 10 mandamentos, as muitas leis e prescrições no livro Levítico etc. Narrativas de fundo mitológico: Entre os diversos sentidos que esta pa­lavra tem, destacamos: uma narrativa de sentido simbólico sobre certos aspectos da condição humana; uma representação de um estado ideal. É uma forma de pen­samento oposto ao pensamento lógico ou científico. O mito aborda reflexões pro­fundas que dificilmente se podem descrever numa linguagem exata. Exemplos são as narrativas do livro Gênesis 1 a 11.

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As sagas: São histórias transmitidas oralmente durante muito tempo, em que se contam e guardam na memória os acontecimentos e experiências que deram origem a um determinado grupo ou povo, ou um herói (Exemplos: as histórias dos patriarcas e matriarcas (Abraão, Isaac, Jacó e suas esposas, Sansão etc.).

Novelas e romances: narrações "românticas" sobre determinadas pessoas importantes para a história do povo. Exemplos: Rute, Judite, Ester, José do Egito ...

Fábulas: As fábulas são histórias em que animais, plantas ou objetos fa­lam e tomam certas atitudes. Eles representam o ser humano no seu agir e falar. Também na Bíblia aparecem traços de fábulas. (Vamos ler Jz 9,8-15)

Epônimos: São narrativas que explicam a origem de grupos, raças e po­vos. Na maioria das vezes, não retratam fatos reais, mas são uma forma de explicar a situação atual. Exemplos: a origem dos inimigos de Israel: os moabitas e os a­monitas. (Gn 19,30-38); a origem dos Edomitas (descendentes de Esaú) e dos Isra­elitas (descendentes de Jacó) (Gn 25,21ss); a origem da humanidade (Gn 1,26-27; Gn 2,7.22).

Parábolas e alegorias: São comparações tiradas da vida para levar as pes­soas a refletirem e provocar uma atitude diante da mensagem de Deus. Estamos acostumados com as parábolas que Jesus contava, mas o Primeiro Testamento também tem suas parábolas. Podemos conferir em 2Sm 12,1-10; Is 5,1-7 (Vamos parar para ler uma delas)

São muito conhecidas as parábolas de Jesus. Há diferentes tipos de parábolas:

a) Alegorias são comparações em que cada detalhe tem seu sentido. (Vamos ver isto em Lc 14,16-24) O primeiro grupo de convidados são os conterrâneos de Jesus que não aceitam o convite. O segundo grupo são os pobres e marginalizados que são também chamados para entrar no Reino. O terceiro grupo são os pagãos que vão entrar mais tarde na comunidade cristã.

b) Há parábolas (também chamadas "comparações") que narram situações comuns de cada dia (Cf Mc 4,30-31; Lc 13,20-21, Mc 4,26-29; Lc 10)0-37; Lc 18,10-14.

c) Outras parábolas dão uma única ideia. Contam fatos extraordinários. Querem explicar que Deus pensa e age diferente dos homens. (Vamos ver o extra­ordinário e o que diz isto a respeito de Deus: Lc 15,11-32; Le 16,1-8; Mt 20,1-16; Mt 18,23-35; Mc 12,1-11)

Relatos de vocação: A vocação na Bíblia é, quase sempre, descrita con­forme determinada forma fixa

- Descrição da situação que reclama missão.

- Deus, ou seu mensageiro, fala o nome da pessoa, chamando duas ou mais vezes.

- A pessoa chamada interroga a Deus ou o mensageiro e, às vezes, apresen-

ta alguma dificuldade.

- Deus responde, explicando ou removendo a objeção.

- Deus entrega a missão.

(Vamos verificar estes elementos em Ex 3,1-14; Jr 1,4-10,1Sm 3,1-10)

Narrações de milagres: Toda a Bíblia está impregnada de narrativas de milagres e sinais. No Primeiro Testamento, lemos que "o sol parou" (Js ] 0,13); Elias ressuscitou o filho da viúva (lRs 17,] 7-24); Eliseu curou Naamã, o leproso (2Rs 5,1-20). O maior milagre é a libertação do Egito: as pragas, a passagem pelo Mar Vermelho, a nuvem e a coluna de fogo, o maná, a água que sai da rocha, a Aliança concluída no Sinai.

Também no Segundo Testamento encontramos os milagres a cada hora: curas, expulsão de demônios, ressurreição de pessoas falecidas, intervenções na natureza.

Diante destas narrativas, há muitas perguntas. Aconteceu mesmo? Haverá uma explicação natural para isso?

Seja como for, os milagres trazem uma mensagem. São relatos de uma experiência de Deus no decorrer da história. São sinais da chegada do Reino de Deus. Às vezes, são relatados com um estilo literário que exagera o aspecto extraordinário (por exemplo, a libertação do Egito). Outras vezes, querem se referir a uma realidade mais profunda (por exemplo, as multiplicações dos pães que se referem à Eucaristia e à partilha). Coisas extraordinárias acontecem até hoje. Curas que a medicina não explica não aconteciam somente no tempo de Jesus. O mais importante é procurar a mensagem que está por trás de cada milagre contado. Que significa este milagre para nós, hoje? O que tem a ver com nossa vida? Podemos, nós também, fazer milagres: dar pão aos famintos, curar os enfermos, expulsar os espíritos violentos, desonestos, desanimados, expulsar a injustiça, a guerra, o ódio!

Importante para nós é saber que o Segundo Testamento é uma reIeitura do Primeiro Testamento. Os acontecimentos, os milagres, as profecias são lidos com novos olhos. Têm sua última realização e seu sentido mais profundo em Jesus. Para entender a riqueza do Novo Testamento, precisamos ter um certo conhecimento do Antigo.

Vimos alguns gêneros literários para entender melhor a Bíblia. Não são todos, mas são os mais frequentes. Importante é saber que devemos procurar, em cada estilo literário, a mensagem para nós, hoje. Se a Bíblia não entrar em nossa vida concreta, nenhum estudo adianta.

Para terminar

Podemos concluir com uma breve oração:

-Canto: Tua palavra é lâmpada para os meus pés, Senhor.

Lâmpada para os meus pés, Senhor, luz para meu caminho. (bis)

-Leitura de Ez 2,8 a 3,3

-Em qual gênero literário podemos encaixar este texto? Que simbolismos encontramos neste texto?

- Partilhemos a beleza deste texto e procuremos a sua mensagem para nós, hoje.

- Oração: SI 19,8-15

- Canto sobre vocação.

Inês Broshuis

Equipe de Catequese do Regional Leste 2 da CNBB

(Fonte)

quinta-feira, 10 de setembro de 2015

Como o Povo da Bíblia conta sua história (II)

Os números na Bíblia

A Bíblia dá também sentido simbólico aos números. Nós o fazemos também. Dizemos: "Já lhe falei mil vezes", enquanto foram somente 3 vezes. Dizemos que "fulano é Dez" o que quer dizer que ele é excelente.

Vamos ver alguns números da Bíblia com seu sentido simbólico:

3 - Fazer algo 3 vezes é fazer para valer. Pedro negou Jesus 3 vezes. Afirmou seu amor a Jesus 3 vezes. O menino Samuel é chamado por Deus 3 vezes. Indica também um dia de Deus: Jesus ressuscitou no terceiro dia

n_emeros.png4 - São os 4 pontos cardeais, todo o espaço terrestre. Os 4 seres no livro do Apocalipse significam a criação inteira.

7 - Plenitude, perfeição. Jesus mandou perdoar 70 x 7 vezes (sempre). Madalena foi libertada do poder de 7 demônios (todo tipo de mal). No Apocalipse, Jesus envia cartas às 7 Igrejas (a toda a Igreja).

6 - Imperfeito (7 menos 1). No Apocalipse, o número da besta é 666. Refere-se ao Imperador Nero que perseguia os cristãos. Três vezes imperfeito.

12 - Indica o conjunto do Povo, as 12 tribos de Israel. Depois da multiplicação dos pães, sobraram 12 cestos (para todo o povo). Os 12 apóstolos são os pilares do novo Israel.

40 - Indica um tempo de amadurecimento. O povo passou 40 anos pelo deserto antes de chegar à Terra Prometida. Jesus passava 40 dias e 40 noites jejuando, preparando-se para sua missão; passaram-se 40 dias entre a ressurreição e a ascensão, preparando os discípulos para sua missão.

1000 é uma quantidade sem fim.

A Bíblia gosta de exagerar nos números, mostrando a importância de al­gum acontecimento.

As narrativas na Bíblia

Na Bíblia, encontramos muitas narrativas. Para dar resposta às perguntas da vida, o povo da Bíblia não faz grandes discursos, mas conta histórias. Mesmo os chamados livros históricos não são livros de história no atual sentido da palavra, mas são narrativas para passar certas mensagens ao povo. Mais importante que os fatos narrados é a mensagem de libertação e salvação que eles querem transmitir. Sabemos que ler a Bíblia ao pé da letra não nos leva a captar a mensagem profun­da destas narrativas. Por isto, é importante conhecermos um pouco os gêneros literários. "A letra mata; o espírito vivifica" (2 Cor 3,6)

A Bíblia e a Ciência

A Bíblia não quer ensinar ciências ou história assim como entendemos ho­je. Ela quer transmitir uma mensagem de Deus para a qual ele espera nossa respos­ta. Ciência e Bíblia não se contradizem porque têm objetivos diferentes. A ciência busca explicações que possam ser comprovadas. A Bíblia busca o sentido das ex­periências de vida e de fé. Cada uma trabalha no seu próprio campo.

Como entender melhor um determinado texto

Para entender melhor a mensagem de um determinado texto, podemos fazer algumas perguntas:

Quem é o autor?

Quando escreveu? Em que época?

Onde foi escrito?

(nem sempre é possível encontrar as respostas às três primeiras perguntas)

A quem o autor se dirige?

O que o levou a escrever?

Quais são os personagens principais do texto? Qual a atitude de cada um?

Qual a mensagem central do texto?

Qual o gênero literário?

Podemos fazer um exercício. Vamos ler o livro de Jonas; leiamos a introdução que a Bíblia dá e conseguiremos responder às perguntas colocadas. Assim, descobrimos a riqueza do texto, seu contexto e o pretexto (motivo).

(continua...)

Inês Broshuis

Equipe de Catequese do Regional Leste 2

(Fonte)

quarta-feira, 9 de setembro de 2015

Como o Povo da Bíblia conta sua história (I)

Há muitos modos de narrar e escrever acontecimentos, sentimentos, histórias. Há diferentes maneiras de se comunicar um pensamento, uma experiência.

Em nosso dia-a-dia, temos muitas formas de falar e escrever. E podemos observar que, muitas vezes, usamos certas formas fixas para nos comunicar quando nos encontramos, nos saudamos e perguntamos: Como vai? Quando damos parabéns, expressamos nossos pêsames ou apresentamos uma pessoa, usamos frases de uso ou estilo fixo. Encontramos estas formas fixas também na literatura. Um conto de fadas começa com "Era uma vez ... " e termina: "e viveram felizes para sempre". Começando e terminando uma história assim, sabemos que se trata de um conto de fadas e sabemos que o conteúdo é de ficção, de muita fantasia, através do qual o escritor quer passar uma mensagem.

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Se abrirmos um livro de arte culinária, encontramos uma lista de ingredientes e depois o modo de se preparar o prato. É sua "forma literária". Quando escrevemos uma carta, começamos com uma saudação e terminamos com uma despedida. (outras formas fixas, por exemplo, convite para um casamento, notícia de falecimento ... )

É importante conhecer o estilo de certos livros e escritos. Você lê com olhos diferentes um romance, um livro de história ou de ciências, uma poesia ou uma fábula. Quando você abre um jornal, espera notícias objetivas sobre a atualidade da vida. Não espera um romance. Cada estilo tem seu objetivo. Em geral, isto não causa muito problema. Quando vamos a uma biblioteca, já sabemos que tipo de livro queremos.

A Bíblia é como uma biblioteca

Falamos que a Bíblia é uma biblioteca. Ela contém 73 livros. Mas, dizendo que é uma biblioteca, já queremos dizer que encontramos diversos estilos literários na Bíblia. Assim, encontramos nela narrações, leis, cantos e hinos, profecias, cartas, parábolas, sagas, poemas, romances, provérbios etc. E, em meio a tantos estilos, é importante entendermos qual gênero literário estamos lendo, para entendermos a finalidade do livro e não tirarmos conclusões erradas. Se você lê a Bíblia como uma descrição exata de fatos, como um jornal, você corre o risco de entender mal certos trechos e tirar conclusões que não eram a intenção do autor. Se você lê um poema como um fato histórico, você não entendeu o que o autor quis dizer. Por isto, vamos falar um pouco sobre diversos estilos literários na Bíblia.

Diversos modos de transmitir' uma mensagem

Quando abrimos a Bíblia e olhamos o índice, logo descobrimos diversos estilos literários. (Vamos procurar, na nossa Bíblia, o índice. Quais são os grupos de livros que estão lá?)

O índice fala de livros históricos, proféticos e sapienciais, de evangelhos, cartas, apocalipse. Estes livros indicam determinados estilos. O estilo dos livros históricos é diferente dos livros sapienciais, dos livros dos profetas ou das cartas de São Paulo.

Mas, abrindo cada livro, encontramos, muitas vezes, trechos com estilos diferentes do grande conjunto. Vamos dar um exemplo: lendo um jornal, esperamos informações fidedignas sobre os acontecimentos dos últimos dias. Esta é a finalidade do jornal. Esperamos uma linguagem objetiva em que podemos confiar. Mas, lendo bem, encontramos outros "estilos" ou "gêneros literários" neste mesmo jornal: propagandas, anúncios, horóscopos, crônicas sobre determinados assuntos atuais, reportagens da vida social etc. (Pode-se verificar isto num jornal). Assim acontece também na Bíblia. Um Evangelho, que procura transmitir uma mensagem a respeito de Jesus, é escrito em diversos estilos: parábolas, advertências de Jesus, citações de textos proféticos, orações, mandamentos, curas, anúncios, sermões. Cada qual tem um estilo próprio para falar de Deus. Então, a Bíblia fala da voz de Deus, dos olhos de Deus, dos seus braços, da sua mão direita; ele fica sentado num trono, nossos nomes estão escritos na palma da sua mão, ele nos protege com a sombra das suas asas etc. (cf SI 17,8; Sl 17,2; Is 23,11)

A Bíblia tem seus simbolismos próprios: a nuvem simboliza a presença de Deus; a montanha é um lugar para rezar, pois, estando lá, se está mais perto do céu; trovão e relâmpago são manifestações de Deus; o sangue é símbolo da vida; e assim por diante.

A Bíblia é um relato das experiências do povo com Deus. Especialmente os profetas ajudaram a perceber o sentido destas experiências. São experiências profundas que dificilmente se podem expressar numa linguagem objetiva e concreta. Lembremo-nos dos nossos próprios cantos de amor, do nosso Hino Nacional. Quanta linguagem simbólica! (Analisar um pouco a linguagem poética do Hino Nacional)

Vamos procurar alguns textos e verificar a linguagem simbólica e poética da Bíblia: SI 19,2-7; SI 104,3-4; SI 98,8; SI 114,4-6; Is 6,1; 1s 11,1-9; 49,14-16a. (Podem observar que o livro de Isaías é, praticamente, uma grande poesia)

(continua…)

Inês Broshuis

Comissão para a Animação Bíblico-Catequética do Leste 2

(Fonte)

terça-feira, 8 de setembro de 2015

Natividade de Nossa Senhora





Sermão do Nascimento da Mãe de Deus
Padre Antônio Vieira

"Quereis saber quão feliz, quão alto é e quão digno
de ser festejado o Nascimento de Maria? Vede para
que nasceu...
Nasceu para que dEla nascesse Deus...
Perguntai aos enfermos para que nasce esta celestial
Menina, dir-vos-ão que nasce para Senhora da
Saúde;
Perguntai aos pobres, dirão que nasce para Senhora
dos Remédios;
Perguntai aos desamparados, dirão que nasce para
Senhora do Amparo;
Perguntai aos desconsolados, dirão que nasce para Senhora da
Consolação;
Perguntai aos tristes, dirão que nasce para Senhora dos Prazeres;
Perguntai aos desesperados, dirão que nasce para Senhora da
Esperança.
Os cegos dirão que nasce para Senhora da Luz;
Os discordes, para Senhora da Paz;
Os desencaminhados, para Senhora da Guia;
Os cativos, para Senhora do Livramento;
Os cercados, para Senhora da Vitória.
Dirão os pleiteantes que nasce para Senhora do Bom Despacho; o
Os navegantes, para Senhora da Boa Viagem;
Os temerosos da sua fortuna, para Senhora do Bom Sucesso;
Os desconfiados da vida, para Senhora da Boa Morte;
Os pecadores todos, para Senhora da Graça; E todos os seus devotos,
para Senhora da Glória. E se todas estas vozes se unirem em uma só
voz, dirão que nasce para ser Maria e Mãe de Jesus"

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