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domingo, 25 de janeiro de 2015

Papa ficou triste com interpretações equivocadas sobre a família

Com surpresa e tristeza: assim reagiu o Papa Francisco após a repercussão de sua declaração sobre a paternidade responsável

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O substituto da Secretaria de Estado do Vaticano, Dom Angelo Becciu, em entrevista ao jornal italiano Avvenire, revelou que o Papa sentiu-se surpreso e triste diante das repercussões de sua declaração sobre a paternidade responsável, durante a coletiva de imprensa no voo de volta a Roma, após a visita às Filipinas.

O Arcebispo Becciu, um dos mais próximos colaboradores do Papa – e que estava presente no encontro com os jornalistas -, disse que Francisco se sentiu surpreso ao ler os jornais do dia seguinte nos quais “as suas palavras, voluntariamente expressas com a linguagem de todos os dias, não foram plenamente contextualizadas”. Segundo o bispo, Francisco teria ainda expressado sua tristeza “pela desorientação” causada especialmente às famílias numerosas.

“A frase do Papa deve ser interpretada no sentido de que o ato de procriação no homem não pode seguir a lógica do instinto animal, mas deve ser fruto de um ato responsável com raízes no amor e na doação recíproca de si mesmo. Infelizmente, com muita frequência, a cultura contemporânea tende a diminuir a autêntica beleza e o valor do amor conjugal, com todas as consequências negativas que disso derivam”, disse Dom Becciu.

Segundo o bispo, uma interpretação correta sobre a paternidade responsável deve ser feita à luz da Humanae Vitae, encíclica escrita pelo Papa Paulo VI, neste sentido: “sem jamais dividir o caráter unitivo e procriativo do ato sexual, este deve se inserir sempre na lógica do amor na medida que a pessoa como um todo (física, moral e espiritual) abre-se ao mistério da doação de si mesma no vínculo do matrimônio”.

Dom Becciu ressalta ainda que não existe um número “ideal” de filhos por casal, negando que o Papa teria expresso um conceito taxativo de “três filhos por casal”.  “O número três refere-se unicamente à quantidade mínima indicada pela sociologia e demografia para assegurar a estabilidade da população. De nenhuma maneira o Papa quis indicar que representasse o número ‘justo’ de filhos para cada matrimônio. Cada casal cristão, à luz da graça, é chamado a discernir de acordo com uma série de parâmetros humanos e divinos aquele que seria o número de filhos que deve ter”, completou o arcebispo.

Diante da “desorientação” provocada nas famílias numerosas à frente das versões fornecidas pelos jornais, Dom Becciu disse que o Papa ficou “realmente triste” com a inexatidão. “Francisco não queria absolutamente renegar a beleza e o valor das famílias numerosas”, declarou o substituto da Secretaria de Estado, lembrando que na Audiência Geral após o retorno da Viagem Apostólica, Francisco disse que “a vida é sempre um bem e que ter tantos filhos é um dom de Deus para o qual devemos agradecer”.

(FONTE)

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