terça-feira, 15 de setembro de 2015

Algumas "dicas" para o uso da Bíblia na catequese (III)

ADOLESCÊNCIA: pelos 12-15 anos:

a) Características: são visíveis a insegurança, a instabilidade e a aguda emotividade; retirada ao próprio mundo interior - com o sofrimento que esta solidão traz; sensação de não ser compreendido e de sequer ser capaz de compreender; tempo de afirmação da própria personalidade; é contra todo autoritarismo; desconfia do adulto - mas precisa dele; idade de interesse pelo sexo e do amor; das cartas pessoais e dos diários íntimos(meninas); dos conflitos na família; de preocupação pelo futuro (vocação).

b) Quanto à Bíblia: atenção especial ao aspecto afetivo, emotivo. Há muita identificação com personagens que se impõem por seu humanismo. Especial atenção despertam os profetas, por sua crítica às situações de injustiça ou de incoerência. São importantes os textos que encaram o misterioso da vida e seu sentido mais profundo; os que orientam a busca desse sentido, inclusive do ponto de vista da vocação (Mt 5,7).

Será interessante tomar, agora, unidades maiores: parábolas, pequenos livros como Jonas, Judite, Amós.

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FINAL DA ADOLESCÊNCIA: pelos 15-19 anos:

a) Características: há especial interesse pela experiência dos outros e com os outros: a consciência crítica faz com que se posicione diante dos males e das contradições do mundo.

b) Quanto à Bíblia: tempo de tomar textos mais difíceis, profundos. Pode-se abordar qualquer texto Bíblico. Será bom proporcionar uma visão de conjunto da Bíblia, colocando os problemas com que a Bíblia nos quer confrontar.

c) Sugestão de textos:

            -Gn 1-11 visto como reflexão sobre o nosso hoje( o homem no mundo; problemas de relacionamento, pecado e salvação).

            -Narrativas da infância de Jesus.

            -Narrativas de milagres.

            -Jó, Eclesiastes, Evangelho de Marcos, Cartas de Paulo(1 Cor).

            Vale a pena chamar a atenção também para a Linguagem da Bíblia. Descobrir a linguagem como parte de um conjunto, como sintoma de uma situação e, ao mesmo tempo, instrumento, seja de opressão ou de libertação.

ALGUNS CUIDADOS:

            -Não usar a Bíblia só por curiosidade, passatempo piedoso, sem entrar na dinâmica do povo que a escreveu e na da nossa comunidade.

            -Não se usa a Bíblia para domesticar crianças e adultos em nome de Deus. A obediência a fé é outra coisa.

            -Cada frase da Bíblia está dentro de um contexto. Não deve-se usar frases pescadas cá e acolá e isolados do seu contexto para impor uma ideia, um pensamento.

            -Na Bíblia o único herói é Deus. Cuidado para não elevar certos personagens à dimensão de super homens, sem defeitos.

            -O único jeito de ler a Bíblia que a Igreja condena é a leitura fundamentalista, que lê tudo ao pé da letra; se aparece algo estranho, invoca-se o poder de Deus, e pronto.

Equipe do Catequese Hoje

(Fonte)

segunda-feira, 14 de setembro de 2015

Algumas "dicas" para o uso da Bíblia na catequese (II)

INFÂNCIA: pelos 7-8 anos:

a) Características da idade: fase marcante no desenvolvimento humano; ainda muito concentrada no seu “eu”; sente enorme necessidade de estima, de amor; aberta à contemplação, à admiração; gosta de ouvir o silêncio; aprecia símbolos, a expressão corporal, os bichos, tudo o que é vida; gosta de saber fazer as coisas, de rir e brincar, de aprender e decorar.

b) Quanto à imagem de Deus: prevalece a imagem do Deus grande, forte, que tudo sabe e pode, justo, santo, bom: do Deus da criação e dos milagres.

c) Quanto à Bíblia: A criança está na fase de alfabetização: boa ocasião para apresentar-lhe a Bíblia como livro bonito, importante, que os homens apreciam mais que qualquer outro. Pode-se contar como é que ela apareceu na vida do povo, como ela continua sendo importante para as pessoas aprenderem a resolver seus problemas. Usar cartazes, desenhos, expressão corporal. Deixe que as crianças vejam, toquem, perguntem, dêem palpite, façam.

Conte histórias de enredo curto, mantendo a tensão até o fim, narrativas simples, distinguindo claramente entre o bem e o mal. Evitar preconceitos a respeito de pessoas e tipos. O sofrimento e o mal, podem e devem ser abordados, mas de modo a inspirar confiança; a história terminará com a vitória do bem.

Cuidado com os aspectos chocantes da mentalidade infantil: histórias como a de Herodes(matança de bebês), de Caim(que mata o irmão), os pormenores da paixão de Jesus e outros textos semelhantes, são traumatizantes nesta idade. Enfim, narrativas bíblicas que impressionam negativamente a criança e amedrontam podem provocar antipatia pela Bíblia durante longos anos.

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d) Sugestão de texto

-histórias de Abraão, Zaqueu, principalmente falemos de Jesus, amigo dos pobres e pequenos; de suas atitudes; de sua oração, de seus amigos.

-textos contemplativos: frases dos salmos e dos Evangelhos que exprimem alegria, louvor, agradecimento, confiança. Um salmo inteiro será cansativo demais, por isso, devemos escolher as frases mais falantes.

-textos sapienciais: dois excelentes repertórios são o Livro dos Provérbios e o Eclesiástico (não confundir com Eclesiastes que é muito pesado para essa idade).

FINAL DA INFÂNCIA: pelos 9-10 anos:

a) características: viva, ativa; interessa por aventuras, viagens, ação; gosta de ler, de estudar, de aprender; está mais socializada, o que lha dá mais segurança; quer saber os porquês - se o fato aconteceu mesmo; quer coisas concretas (não está mais ligado à linguagem poética, lendas e fábulas).

b) Quanto à Bíblia: tempo favorável para boas informações sobre o livro: como foi escrito, quando, por quem, para que, diversidade dos escritos; informações sobre o povo, a terra, os costumes; tempo de familiarizar-se com nomes e lugares da Bíblia; tempo de manusear a Bíblia: saber encontrar livro, capítulo e versículo; agora, mais que o desenho, serão apreciadas a montagem e a colagem de figuras; a expressão corporal será substituída pela encenação - não mera repetição do texto, mas a sua atualização.

c) Sugestão de textos: deverão ser concretos, movimentados. Boa ocasião para aprofundar a vida adulta de Jesus. Nos Atos encontraremos bons textos sobre comunidades primitivas.

Fala-se de Deus criador, da sua grandeza, conforme a Bíblia nos fala, mas sem usar a linguagem simbólica própria do Gênesis 1 e 2. Esses textos são difíceis para essa idade. Eles exigem uma boa formação do catequista também. Mas, são textos para serem usados com os jovens e não com crianças. Por enquanto, fala-se de Deus criador sem usar esses textos.

Os relatos de milagres e as parábolas de Jesus, ao contrário do que em geral se pensa, não são os mais indicados. A criança pode ficar com uma imagem deturpada de Jesus, como se ele fosse um mágico, parecido com os dos desenhos da televisão. Os livros de catequese mais atualizados não usam essas narrativas.

PRÉ-ADOLESCÊNCIA: pelos 11-12 anos:

a) Características: mundo infantil começa a desmoronar-se: questiona tudo; surge a consciência das próprias limitações; há uma nova volta para o próprio “eu”; é a época dos grupos solidários; da imitação dos adultos. Devido a uma série de fatores, principalmente os meios de comunicação social, está fase tem começado antes dos 11 anos.

b) Textos bíblicos: numa linha mais refletida, tomem-se as figuras de Jesus, Jeremias. Ainda não é tempo para anjos e demônios, lendas e insistência em milagres para não reforçar a mentalidade mágica, própria da idade.

(Continua…)

Equipe do Catequese Hoje

(Fonte)

domingo, 13 de setembro de 2015

Algumas "dicas" para o uso da Bíblia na catequese (I)

1. DICAS DE INÍCIO - sobre o uso da Bíblia na catequese é importante saber:

a) Respeitar a interação vida-Bíblia. Que também a criança, o adolescente, aprenda a ler a Bíblia a partir da vida e em função dela. Trabalhar com a Bíblia sem ligá-la com a vida é como querer utilizar um aparelho elétrico desligado da eletricidade: não funciona! A Bíblia brotou da vida de um povo e para que seja captada em seu verdadeiro sentido tem de estar ligada à vida do grupo que a lê, reflete e reza a partir dela.

O catequista precisa ter uma boa formação Bíblica para não fazer uma leitura fundamentalista, ou seja, ler tudo ao pé da letra. Como vimos nos encontros anteriores é preciso descobrir o que o texto está dizendo, que linguagem o autor utilizou para dar seu recado.

b) Não dizer hoje o que teremos de desdizer amanhã. Quando o catequista não sabe responder o que a criança perguntou, é bom dizer que não sabe e que dará a resposta depois.

c) Sempre que possível, não só falar da Bíblia, mas dar-lhe a palavra.

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2. ESCOLHA DOS TEXTOS BÍBLICOS

Não vamos nos deter a elencar um monte de critérios, achamos mais interessante, neste momento, nos prendermos a um critério básico, que iluminará todos os demais: é a questão da gradualidade. Vejamos:

"Uma certa manhã um fazendeiro montou a cavalo e foi inspecionar suas roças. Chegando lá viu os pés de milho todos muito bonitos, mas ainda muito pequenos. De repente, pôs-se a gritar com os colonos: “Como é que vocês não fazem nada para ajudar meu milho a crescer mais depressa?”. Apeou e , com as duas mãos, começou a puxar e espichar os pezinhos de milho, um por um. De noite, voltou para casa. Estava exausto! Mas comentava: “O dia foi puxado, mas valeu: ajudei o nosso milho a crescer”. No dia seguinte o milharal estava todo ressequido. Morto.

Com as pessoas humanas acontece a mesma coisa. Tudo se dá no tempo certo. E este crescimento às vezes é lento. O catequista deve saber respeitar este ritmo, dar tempo ao tempo.

Quando formos trabalhar com um texto bíblico na catequese devemos estar atentos:

1º - ao linguajar do texto:  ver se tem palavras difíceis que precisam ser substituídas.

2º - à experiência de vida do catequizando: entrar em sintonia com a situação que estão vivendo no momento( dor, alegria, luto, festa, esperança, temor...); procurar conhecer o catequizando, o que pensa, vive, sente... A criança evolui, passa de uma mentalidade mágica para outra cada vez mais concreta, crítica, feita de curiosidade e indagação. A leitura Bíblica também terá que evoluir.

3º - à sua maturidade na fé: é importante não esquecer que a criança, o adolescente, o jovem, estão num processo de iniciação a vida de fé. É preciso ir devagar, não podemos usar textos que ainda não estão à altura dos catequizandos, que são difíceis demais.

4º - às prioridades: “Tudo é bom, mas nem tudo é bom para todos aqui e agora”. 

Como fazer uma catequese Bíblica?

Vamos tratar sobre como transmitir a mensagem da Bíblia.

1. Ter bem clara a mensagem que queremos transmitir, a atitude evangélica que queremos despertar. 

2. Levar em conta o perfil do catequizando: se é criança, jovem ou adulto, qual sua situação de vida, sua cultura, suas experiências. Cada grupo é diferente, como também cada catequizando tem suas próprias experiências. Devemos estar atentos e saber escutar o que eles nos dizem a respeito da sua própria realidade.

3. Procurar os meios, as técnicas que podem proporcionar uma melhor assimilação da mensagem.

4. Não pode faltar o aspecto da vivência concreta que resulta da reflexão feita em grupo.

Algumas notas pedagógicas

Os pequenos

Para os pequenos trata-se mais de uma formação bíblica remota. É importante que a criança se sinta segura com Deus, sinta sua presença amorosa.

É importante experimentar o silêncio, a admiração já tão natural para ela. A criança, facilmente, chega a admirar e escutar Deus, quando há alguém que a toma pela mão. Gosta de rezar pequenos trechos dos salmos com expressão corporal e gestos.

Podemos fazê-la sentir a importância do Livro Sagrado mediante uma pequena procissão, tratando com respeito a Bíblia. Já podemos contar alguns fatos da vida de Jesus, mas o Primeiro Testamento ainda não deve ser abordado. Muitas vezes, são contadas às crianças as narrações dos primeiros capítulos do Livro de Gênesis, justamente por serem "fantásticas". Muitas vezes são apresentadas do ângulo de um Deus que castiga e quer pôr fim à humanidade. Tais narrações foram escritas para adultos a fim de mostrar que a infidelidade à Aliança traz suas consequências para a humanidade. A criança ainda não chegou a essa experiência. Pode ficar amedrontada.

Não apresentemos nunca o Deus que castiga. Não é a mensagem para a criança pequena.

(continua...)

Equipe do Catequese Hoje

(FONTE)

sexta-feira, 11 de setembro de 2015

Como o Povo da Bíblia conta sua história (III)

Vários gêneros literários

Como já falamos, em um livro da Bíblia encontramos estilos "menores". Vamos ver alguns.

A poesia

Está amplamente presente nos diversos textos, especialmente nos Sal­mos, no livro Cântico dos Cânticos, no livro de Isaías etc.

Listas

São as genealogias, listas das descendências de povos e importantes personagens.

Leis e Normas

Os 10 mandamentos, as muitas leis e prescrições no livro Levítico etc. Narrativas de fundo mitológico: Entre os diversos sentidos que esta pa­lavra tem, destacamos: uma narrativa de sentido simbólico sobre certos aspectos da condição humana; uma representação de um estado ideal. É uma forma de pen­samento oposto ao pensamento lógico ou científico. O mito aborda reflexões pro­fundas que dificilmente se podem descrever numa linguagem exata. Exemplos são as narrativas do livro Gênesis 1 a 11.

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As sagas: São histórias transmitidas oralmente durante muito tempo, em que se contam e guardam na memória os acontecimentos e experiências que deram origem a um determinado grupo ou povo, ou um herói (Exemplos: as histórias dos patriarcas e matriarcas (Abraão, Isaac, Jacó e suas esposas, Sansão etc.).

Novelas e romances: narrações "românticas" sobre determinadas pessoas importantes para a história do povo. Exemplos: Rute, Judite, Ester, José do Egito ...

Fábulas: As fábulas são histórias em que animais, plantas ou objetos fa­lam e tomam certas atitudes. Eles representam o ser humano no seu agir e falar. Também na Bíblia aparecem traços de fábulas. (Vamos ler Jz 9,8-15)

Epônimos: São narrativas que explicam a origem de grupos, raças e po­vos. Na maioria das vezes, não retratam fatos reais, mas são uma forma de explicar a situação atual. Exemplos: a origem dos inimigos de Israel: os moabitas e os a­monitas. (Gn 19,30-38); a origem dos Edomitas (descendentes de Esaú) e dos Isra­elitas (descendentes de Jacó) (Gn 25,21ss); a origem da humanidade (Gn 1,26-27; Gn 2,7.22).

Parábolas e alegorias: São comparações tiradas da vida para levar as pes­soas a refletirem e provocar uma atitude diante da mensagem de Deus. Estamos acostumados com as parábolas que Jesus contava, mas o Primeiro Testamento também tem suas parábolas. Podemos conferir em 2Sm 12,1-10; Is 5,1-7 (Vamos parar para ler uma delas)

São muito conhecidas as parábolas de Jesus. Há diferentes tipos de parábolas:

a) Alegorias são comparações em que cada detalhe tem seu sentido. (Vamos ver isto em Lc 14,16-24) O primeiro grupo de convidados são os conterrâneos de Jesus que não aceitam o convite. O segundo grupo são os pobres e marginalizados que são também chamados para entrar no Reino. O terceiro grupo são os pagãos que vão entrar mais tarde na comunidade cristã.

b) Há parábolas (também chamadas "comparações") que narram situações comuns de cada dia (Cf Mc 4,30-31; Lc 13,20-21, Mc 4,26-29; Lc 10)0-37; Lc 18,10-14.

c) Outras parábolas dão uma única ideia. Contam fatos extraordinários. Querem explicar que Deus pensa e age diferente dos homens. (Vamos ver o extra­ordinário e o que diz isto a respeito de Deus: Lc 15,11-32; Le 16,1-8; Mt 20,1-16; Mt 18,23-35; Mc 12,1-11)

Relatos de vocação: A vocação na Bíblia é, quase sempre, descrita con­forme determinada forma fixa

- Descrição da situação que reclama missão.

- Deus, ou seu mensageiro, fala o nome da pessoa, chamando duas ou mais vezes.

- A pessoa chamada interroga a Deus ou o mensageiro e, às vezes, apresen-

ta alguma dificuldade.

- Deus responde, explicando ou removendo a objeção.

- Deus entrega a missão.

(Vamos verificar estes elementos em Ex 3,1-14; Jr 1,4-10,1Sm 3,1-10)

Narrações de milagres: Toda a Bíblia está impregnada de narrativas de milagres e sinais. No Primeiro Testamento, lemos que "o sol parou" (Js ] 0,13); Elias ressuscitou o filho da viúva (lRs 17,] 7-24); Eliseu curou Naamã, o leproso (2Rs 5,1-20). O maior milagre é a libertação do Egito: as pragas, a passagem pelo Mar Vermelho, a nuvem e a coluna de fogo, o maná, a água que sai da rocha, a Aliança concluída no Sinai.

Também no Segundo Testamento encontramos os milagres a cada hora: curas, expulsão de demônios, ressurreição de pessoas falecidas, intervenções na natureza.

Diante destas narrativas, há muitas perguntas. Aconteceu mesmo? Haverá uma explicação natural para isso?

Seja como for, os milagres trazem uma mensagem. São relatos de uma experiência de Deus no decorrer da história. São sinais da chegada do Reino de Deus. Às vezes, são relatados com um estilo literário que exagera o aspecto extraordinário (por exemplo, a libertação do Egito). Outras vezes, querem se referir a uma realidade mais profunda (por exemplo, as multiplicações dos pães que se referem à Eucaristia e à partilha). Coisas extraordinárias acontecem até hoje. Curas que a medicina não explica não aconteciam somente no tempo de Jesus. O mais importante é procurar a mensagem que está por trás de cada milagre contado. Que significa este milagre para nós, hoje? O que tem a ver com nossa vida? Podemos, nós também, fazer milagres: dar pão aos famintos, curar os enfermos, expulsar os espíritos violentos, desonestos, desanimados, expulsar a injustiça, a guerra, o ódio!

Importante para nós é saber que o Segundo Testamento é uma reIeitura do Primeiro Testamento. Os acontecimentos, os milagres, as profecias são lidos com novos olhos. Têm sua última realização e seu sentido mais profundo em Jesus. Para entender a riqueza do Novo Testamento, precisamos ter um certo conhecimento do Antigo.

Vimos alguns gêneros literários para entender melhor a Bíblia. Não são todos, mas são os mais frequentes. Importante é saber que devemos procurar, em cada estilo literário, a mensagem para nós, hoje. Se a Bíblia não entrar em nossa vida concreta, nenhum estudo adianta.

Para terminar

Podemos concluir com uma breve oração:

-Canto: Tua palavra é lâmpada para os meus pés, Senhor.

Lâmpada para os meus pés, Senhor, luz para meu caminho. (bis)

-Leitura de Ez 2,8 a 3,3

-Em qual gênero literário podemos encaixar este texto? Que simbolismos encontramos neste texto?

- Partilhemos a beleza deste texto e procuremos a sua mensagem para nós, hoje.

- Oração: SI 19,8-15

- Canto sobre vocação.

Inês Broshuis

Equipe de Catequese do Regional Leste 2 da CNBB

(Fonte)

quinta-feira, 10 de setembro de 2015

Como o Povo da Bíblia conta sua história (II)

Os números na Bíblia

A Bíblia dá também sentido simbólico aos números. Nós o fazemos também. Dizemos: "Já lhe falei mil vezes", enquanto foram somente 3 vezes. Dizemos que "fulano é Dez" o que quer dizer que ele é excelente.

Vamos ver alguns números da Bíblia com seu sentido simbólico:

3 - Fazer algo 3 vezes é fazer para valer. Pedro negou Jesus 3 vezes. Afirmou seu amor a Jesus 3 vezes. O menino Samuel é chamado por Deus 3 vezes. Indica também um dia de Deus: Jesus ressuscitou no terceiro dia

n_emeros.png4 - São os 4 pontos cardeais, todo o espaço terrestre. Os 4 seres no livro do Apocalipse significam a criação inteira.

7 - Plenitude, perfeição. Jesus mandou perdoar 70 x 7 vezes (sempre). Madalena foi libertada do poder de 7 demônios (todo tipo de mal). No Apocalipse, Jesus envia cartas às 7 Igrejas (a toda a Igreja).

6 - Imperfeito (7 menos 1). No Apocalipse, o número da besta é 666. Refere-se ao Imperador Nero que perseguia os cristãos. Três vezes imperfeito.

12 - Indica o conjunto do Povo, as 12 tribos de Israel. Depois da multiplicação dos pães, sobraram 12 cestos (para todo o povo). Os 12 apóstolos são os pilares do novo Israel.

40 - Indica um tempo de amadurecimento. O povo passou 40 anos pelo deserto antes de chegar à Terra Prometida. Jesus passava 40 dias e 40 noites jejuando, preparando-se para sua missão; passaram-se 40 dias entre a ressurreição e a ascensão, preparando os discípulos para sua missão.

1000 é uma quantidade sem fim.

A Bíblia gosta de exagerar nos números, mostrando a importância de al­gum acontecimento.

As narrativas na Bíblia

Na Bíblia, encontramos muitas narrativas. Para dar resposta às perguntas da vida, o povo da Bíblia não faz grandes discursos, mas conta histórias. Mesmo os chamados livros históricos não são livros de história no atual sentido da palavra, mas são narrativas para passar certas mensagens ao povo. Mais importante que os fatos narrados é a mensagem de libertação e salvação que eles querem transmitir. Sabemos que ler a Bíblia ao pé da letra não nos leva a captar a mensagem profun­da destas narrativas. Por isto, é importante conhecermos um pouco os gêneros literários. "A letra mata; o espírito vivifica" (2 Cor 3,6)

A Bíblia e a Ciência

A Bíblia não quer ensinar ciências ou história assim como entendemos ho­je. Ela quer transmitir uma mensagem de Deus para a qual ele espera nossa respos­ta. Ciência e Bíblia não se contradizem porque têm objetivos diferentes. A ciência busca explicações que possam ser comprovadas. A Bíblia busca o sentido das ex­periências de vida e de fé. Cada uma trabalha no seu próprio campo.

Como entender melhor um determinado texto

Para entender melhor a mensagem de um determinado texto, podemos fazer algumas perguntas:

Quem é o autor?

Quando escreveu? Em que época?

Onde foi escrito?

(nem sempre é possível encontrar as respostas às três primeiras perguntas)

A quem o autor se dirige?

O que o levou a escrever?

Quais são os personagens principais do texto? Qual a atitude de cada um?

Qual a mensagem central do texto?

Qual o gênero literário?

Podemos fazer um exercício. Vamos ler o livro de Jonas; leiamos a introdução que a Bíblia dá e conseguiremos responder às perguntas colocadas. Assim, descobrimos a riqueza do texto, seu contexto e o pretexto (motivo).

(continua...)

Inês Broshuis

Equipe de Catequese do Regional Leste 2

(Fonte)

quarta-feira, 9 de setembro de 2015

Como o Povo da Bíblia conta sua história (I)

Há muitos modos de narrar e escrever acontecimentos, sentimentos, histórias. Há diferentes maneiras de se comunicar um pensamento, uma experiência.

Em nosso dia-a-dia, temos muitas formas de falar e escrever. E podemos observar que, muitas vezes, usamos certas formas fixas para nos comunicar quando nos encontramos, nos saudamos e perguntamos: Como vai? Quando damos parabéns, expressamos nossos pêsames ou apresentamos uma pessoa, usamos frases de uso ou estilo fixo. Encontramos estas formas fixas também na literatura. Um conto de fadas começa com "Era uma vez ... " e termina: "e viveram felizes para sempre". Começando e terminando uma história assim, sabemos que se trata de um conto de fadas e sabemos que o conteúdo é de ficção, de muita fantasia, através do qual o escritor quer passar uma mensagem.

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Se abrirmos um livro de arte culinária, encontramos uma lista de ingredientes e depois o modo de se preparar o prato. É sua "forma literária". Quando escrevemos uma carta, começamos com uma saudação e terminamos com uma despedida. (outras formas fixas, por exemplo, convite para um casamento, notícia de falecimento ... )

É importante conhecer o estilo de certos livros e escritos. Você lê com olhos diferentes um romance, um livro de história ou de ciências, uma poesia ou uma fábula. Quando você abre um jornal, espera notícias objetivas sobre a atualidade da vida. Não espera um romance. Cada estilo tem seu objetivo. Em geral, isto não causa muito problema. Quando vamos a uma biblioteca, já sabemos que tipo de livro queremos.

A Bíblia é como uma biblioteca

Falamos que a Bíblia é uma biblioteca. Ela contém 73 livros. Mas, dizendo que é uma biblioteca, já queremos dizer que encontramos diversos estilos literários na Bíblia. Assim, encontramos nela narrações, leis, cantos e hinos, profecias, cartas, parábolas, sagas, poemas, romances, provérbios etc. E, em meio a tantos estilos, é importante entendermos qual gênero literário estamos lendo, para entendermos a finalidade do livro e não tirarmos conclusões erradas. Se você lê a Bíblia como uma descrição exata de fatos, como um jornal, você corre o risco de entender mal certos trechos e tirar conclusões que não eram a intenção do autor. Se você lê um poema como um fato histórico, você não entendeu o que o autor quis dizer. Por isto, vamos falar um pouco sobre diversos estilos literários na Bíblia.

Diversos modos de transmitir' uma mensagem

Quando abrimos a Bíblia e olhamos o índice, logo descobrimos diversos estilos literários. (Vamos procurar, na nossa Bíblia, o índice. Quais são os grupos de livros que estão lá?)

O índice fala de livros históricos, proféticos e sapienciais, de evangelhos, cartas, apocalipse. Estes livros indicam determinados estilos. O estilo dos livros históricos é diferente dos livros sapienciais, dos livros dos profetas ou das cartas de São Paulo.

Mas, abrindo cada livro, encontramos, muitas vezes, trechos com estilos diferentes do grande conjunto. Vamos dar um exemplo: lendo um jornal, esperamos informações fidedignas sobre os acontecimentos dos últimos dias. Esta é a finalidade do jornal. Esperamos uma linguagem objetiva em que podemos confiar. Mas, lendo bem, encontramos outros "estilos" ou "gêneros literários" neste mesmo jornal: propagandas, anúncios, horóscopos, crônicas sobre determinados assuntos atuais, reportagens da vida social etc. (Pode-se verificar isto num jornal). Assim acontece também na Bíblia. Um Evangelho, que procura transmitir uma mensagem a respeito de Jesus, é escrito em diversos estilos: parábolas, advertências de Jesus, citações de textos proféticos, orações, mandamentos, curas, anúncios, sermões. Cada qual tem um estilo próprio para falar de Deus. Então, a Bíblia fala da voz de Deus, dos olhos de Deus, dos seus braços, da sua mão direita; ele fica sentado num trono, nossos nomes estão escritos na palma da sua mão, ele nos protege com a sombra das suas asas etc. (cf SI 17,8; Sl 17,2; Is 23,11)

A Bíblia tem seus simbolismos próprios: a nuvem simboliza a presença de Deus; a montanha é um lugar para rezar, pois, estando lá, se está mais perto do céu; trovão e relâmpago são manifestações de Deus; o sangue é símbolo da vida; e assim por diante.

A Bíblia é um relato das experiências do povo com Deus. Especialmente os profetas ajudaram a perceber o sentido destas experiências. São experiências profundas que dificilmente se podem expressar numa linguagem objetiva e concreta. Lembremo-nos dos nossos próprios cantos de amor, do nosso Hino Nacional. Quanta linguagem simbólica! (Analisar um pouco a linguagem poética do Hino Nacional)

Vamos procurar alguns textos e verificar a linguagem simbólica e poética da Bíblia: SI 19,2-7; SI 104,3-4; SI 98,8; SI 114,4-6; Is 6,1; 1s 11,1-9; 49,14-16a. (Podem observar que o livro de Isaías é, praticamente, uma grande poesia)

(continua…)

Inês Broshuis

Comissão para a Animação Bíblico-Catequética do Leste 2

(Fonte)

terça-feira, 8 de setembro de 2015

Natividade de Nossa Senhora





Sermão do Nascimento da Mãe de Deus
Padre Antônio Vieira

"Quereis saber quão feliz, quão alto é e quão digno
de ser festejado o Nascimento de Maria? Vede para
que nasceu...
Nasceu para que dEla nascesse Deus...
Perguntai aos enfermos para que nasce esta celestial
Menina, dir-vos-ão que nasce para Senhora da
Saúde;
Perguntai aos pobres, dirão que nasce para Senhora
dos Remédios;
Perguntai aos desamparados, dirão que nasce para
Senhora do Amparo;
Perguntai aos desconsolados, dirão que nasce para Senhora da
Consolação;
Perguntai aos tristes, dirão que nasce para Senhora dos Prazeres;
Perguntai aos desesperados, dirão que nasce para Senhora da
Esperança.
Os cegos dirão que nasce para Senhora da Luz;
Os discordes, para Senhora da Paz;
Os desencaminhados, para Senhora da Guia;
Os cativos, para Senhora do Livramento;
Os cercados, para Senhora da Vitória.
Dirão os pleiteantes que nasce para Senhora do Bom Despacho; o
Os navegantes, para Senhora da Boa Viagem;
Os temerosos da sua fortuna, para Senhora do Bom Sucesso;
Os desconfiados da vida, para Senhora da Boa Morte;
Os pecadores todos, para Senhora da Graça; E todos os seus devotos,
para Senhora da Glória. E se todas estas vozes se unirem em uma só
voz, dirão que nasce para ser Maria e Mãe de Jesus"

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