quarta-feira, 9 de setembro de 2015

Como o Povo da Bíblia conta sua história (I)

Há muitos modos de narrar e escrever acontecimentos, sentimentos, histórias. Há diferentes maneiras de se comunicar um pensamento, uma experiência.

Em nosso dia-a-dia, temos muitas formas de falar e escrever. E podemos observar que, muitas vezes, usamos certas formas fixas para nos comunicar quando nos encontramos, nos saudamos e perguntamos: Como vai? Quando damos parabéns, expressamos nossos pêsames ou apresentamos uma pessoa, usamos frases de uso ou estilo fixo. Encontramos estas formas fixas também na literatura. Um conto de fadas começa com "Era uma vez ... " e termina: "e viveram felizes para sempre". Começando e terminando uma história assim, sabemos que se trata de um conto de fadas e sabemos que o conteúdo é de ficção, de muita fantasia, através do qual o escritor quer passar uma mensagem.

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Se abrirmos um livro de arte culinária, encontramos uma lista de ingredientes e depois o modo de se preparar o prato. É sua "forma literária". Quando escrevemos uma carta, começamos com uma saudação e terminamos com uma despedida. (outras formas fixas, por exemplo, convite para um casamento, notícia de falecimento ... )

É importante conhecer o estilo de certos livros e escritos. Você lê com olhos diferentes um romance, um livro de história ou de ciências, uma poesia ou uma fábula. Quando você abre um jornal, espera notícias objetivas sobre a atualidade da vida. Não espera um romance. Cada estilo tem seu objetivo. Em geral, isto não causa muito problema. Quando vamos a uma biblioteca, já sabemos que tipo de livro queremos.

A Bíblia é como uma biblioteca

Falamos que a Bíblia é uma biblioteca. Ela contém 73 livros. Mas, dizendo que é uma biblioteca, já queremos dizer que encontramos diversos estilos literários na Bíblia. Assim, encontramos nela narrações, leis, cantos e hinos, profecias, cartas, parábolas, sagas, poemas, romances, provérbios etc. E, em meio a tantos estilos, é importante entendermos qual gênero literário estamos lendo, para entendermos a finalidade do livro e não tirarmos conclusões erradas. Se você lê a Bíblia como uma descrição exata de fatos, como um jornal, você corre o risco de entender mal certos trechos e tirar conclusões que não eram a intenção do autor. Se você lê um poema como um fato histórico, você não entendeu o que o autor quis dizer. Por isto, vamos falar um pouco sobre diversos estilos literários na Bíblia.

Diversos modos de transmitir' uma mensagem

Quando abrimos a Bíblia e olhamos o índice, logo descobrimos diversos estilos literários. (Vamos procurar, na nossa Bíblia, o índice. Quais são os grupos de livros que estão lá?)

O índice fala de livros históricos, proféticos e sapienciais, de evangelhos, cartas, apocalipse. Estes livros indicam determinados estilos. O estilo dos livros históricos é diferente dos livros sapienciais, dos livros dos profetas ou das cartas de São Paulo.

Mas, abrindo cada livro, encontramos, muitas vezes, trechos com estilos diferentes do grande conjunto. Vamos dar um exemplo: lendo um jornal, esperamos informações fidedignas sobre os acontecimentos dos últimos dias. Esta é a finalidade do jornal. Esperamos uma linguagem objetiva em que podemos confiar. Mas, lendo bem, encontramos outros "estilos" ou "gêneros literários" neste mesmo jornal: propagandas, anúncios, horóscopos, crônicas sobre determinados assuntos atuais, reportagens da vida social etc. (Pode-se verificar isto num jornal). Assim acontece também na Bíblia. Um Evangelho, que procura transmitir uma mensagem a respeito de Jesus, é escrito em diversos estilos: parábolas, advertências de Jesus, citações de textos proféticos, orações, mandamentos, curas, anúncios, sermões. Cada qual tem um estilo próprio para falar de Deus. Então, a Bíblia fala da voz de Deus, dos olhos de Deus, dos seus braços, da sua mão direita; ele fica sentado num trono, nossos nomes estão escritos na palma da sua mão, ele nos protege com a sombra das suas asas etc. (cf SI 17,8; Sl 17,2; Is 23,11)

A Bíblia tem seus simbolismos próprios: a nuvem simboliza a presença de Deus; a montanha é um lugar para rezar, pois, estando lá, se está mais perto do céu; trovão e relâmpago são manifestações de Deus; o sangue é símbolo da vida; e assim por diante.

A Bíblia é um relato das experiências do povo com Deus. Especialmente os profetas ajudaram a perceber o sentido destas experiências. São experiências profundas que dificilmente se podem expressar numa linguagem objetiva e concreta. Lembremo-nos dos nossos próprios cantos de amor, do nosso Hino Nacional. Quanta linguagem simbólica! (Analisar um pouco a linguagem poética do Hino Nacional)

Vamos procurar alguns textos e verificar a linguagem simbólica e poética da Bíblia: SI 19,2-7; SI 104,3-4; SI 98,8; SI 114,4-6; Is 6,1; 1s 11,1-9; 49,14-16a. (Podem observar que o livro de Isaías é, praticamente, uma grande poesia)

(continua…)

Inês Broshuis

Comissão para a Animação Bíblico-Catequética do Leste 2

(Fonte)

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