quarta-feira, 29 de março de 2017

Esperar contra toda esperança, pede Papa na catequese

No ciclo de catequeses sobre esperança cristã, Papa falou hoje do exemplo de Abraão e convidou fiéis a seguir seu exemplo

Papa se reúne com fiéis às quartas-feiras para a tradicional catequese / Foto; Reprodução CTV

A catequese do Papa Francisco nesta quarta-feira, 29, foi inspirada no episódio narrado por Paulo na Carta aos Romanos. Segundo Francisco, este trecho é um ‘grande dom’, porque mostra Abraão como ‘pai da esperança’ e preanuncia a Ressurreição: a vida nova que vence o mal e até a morte.
“Abraão não vacilou na fé, apesar de ver o seu físico desvigorado por sua idade e considerando o útero de Sara já incapaz de conceber”, diz o trecho lido em várias línguas aos 13 mil fiéis presentes na Praça São Pedro.
Francisco explicou que o apóstolo ensina que o homem é chamado a viver esta experiência, a ‘esperar contra toda esperança’; a acreditar no Deus que salva, que chama à vida e o tira do desespero e da morte. “
“Deus ‘ressuscitou dos mortos a Jesus’ para que nós também possamos passar Nele da morte à vida. Pode-se bem dizer que Abraão se tornou ‘pai de muitos povos’, porque resplandece como o anúncio de uma nova humanidade, resgatada por Cristo do pecado e conduzida para sempre ao abraço do amor de Deus”.

A esperança cristã vai além da esperança humana

 

Paulo também ajuda a compreender a íntima relação entre fé e esperança, disse o Papa. A esperança cristã não se baseia em raciocínios, previsões e garantias humanas; ela se manifesta quando não há mais nada em que esperar, exatamente como o fez Abraão ante sua morte iminente e a esterilidade de Sara, sua esposa. Era o fim para eles, não podiam ter filhos, mas Abraão acreditou, teve esperança.
A grande esperança se fundamenta na fé e precisamente por isso é capaz de ir além de qualquer esperança. Não se baseia em palavras humanas, mas na Palavra de Deus, explicou Francisco à multidão. “E é neste sentido que somos chamados a seguir o exemplo de Abraão, que mesmo diante da evidência de uma realidade que o levaria à morte, confia em Deus, plenamente convencido de que Ele tem poder para cumprir o que prometeu”.
Dirigindo-se aos fiéis presentes na Praça, o Papa perguntou: “Estamos convencidos realmente de que Deus nos quer bem? Que ele pode cumprir o que prometeu? Qual seria o seu preço? Abrir o coração! A força de Deus ensinará o que é a esperança. Este é o único preço: abrir o coração à fé e Ele fará o resto!”.
“Queridos irmãos e irmãs, peçamos ao Senhor a graça de permanecer firmes não apenas em nossas seguranças, em nossas capacidades, mas na esperança que brota da promessa de Deus. Assim, a nossa vida terá uma nova luz, na certeza de que Aquele que ressuscitou o seu Filho ressuscitará a nós também, tornando-nos uma só coisa com Ele, junto de todos os nossos irmãos na fé”.

(Fonte)

sexta-feira, 24 de março de 2017

NOTA DA CNBB SOBRE A PEC 287/16 – “REFORMA DA PREVIDÊNCIA”

“Ai dos que fazem do direito uma amargura e a justiça jogam no chão”
 (Amós 5,7)

O Conselho Permanente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil-CNBB, reunido em Brasília-DF, dos dias 21 a 23 de março de 2017, em comunhão e solidariedade pastoral com o povo brasileiro, manifesta apreensão com relação à Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 287/2016, de iniciativa do Poder Executivo, que tramita no Congresso Nacional.
O Art. 6º. da Constituição Federal de 1988 estabeleceu que a Previdência seja um Direito Social dos brasileiros e brasileiras. Não é uma concessão governamental ou um privilégio. Os Direitos Sociais no Brasil foram conquistados com intensa participação democrática; qualquer ameaça a eles merece imediato repúdio.
Abrangendo atualmente mais de 2/3 da população economicamente ativa, diante de um aumento da sua faixa etária e da diminuição do ingresso no mercado de trabalho, pode-se dizer que o sistema da Previdência precisa ser avaliado e, se necessário, posteriormente adequado à Seguridade Social.
Os números do Governo Federal que apresentam um déficit previdenciário são diversos dos números apresentados por outras instituições, inclusive ligadas ao próprio governo. Não é possível encaminhar solução de assunto tão complexo com informações inseguras, desencontradas e contraditórias. É preciso conhecer a real situação da Previdência Social no Brasil. Iniciativas que visem ao conhecimento dessa realidade devem ser valorizadas e adotadas, particularmente pelo Congresso Nacional, com o total envolvimento da sociedade.
O sistema da Previdência Social possui uma intrínseca matriz ética. Ele é criado para a proteção social de pessoas que, por vários motivos, ficam expostas à vulnerabilidade social (idade, enfermidades, acidentes, maternidade...), particularmente as mais pobres. Nenhuma solução para equilibrar um possível déficit pode prescindir de valores éticos-sociais e solidários. Na justificativa da PEC 287/2016 não existe nenhuma referência a esses valores, reduzindo a Previdência a uma questão econômica.
Buscando diminuir gastos previdenciários, a PEC 287/2016 “soluciona o problema”, excluindo da proteção social os que têm direito a benefícios. Ao propor uma idade única de 65 anos para homens e mulheres, do campo ou da cidade; ao acabar com a aposentadoria especial para trabalhadores rurais; ao comprometer a assistência aos segurados especiais (indígenas, quilombolas, pescadores...); ao reduzir o valor da pensão para viúvas ou viúvos; ao desvincular o salário mínimo como referência para o pagamento do Benefício de Prestação Continuada (BPC), a PEC 287/2016 escolhe o caminho da exclusão social.
A opção inclusiva que preserva direitos não é considerada na PEC. Faz-se necessário auditar a dívida pública, taxar rendimentos das instituições financeiras, rever a desoneração de exportação de commodities, identificar e cobrar os devedores da Previdência. Essas opções ajudariam a tornar realidade o Fundo de Reserva do Regime da Previdência Social – Emenda Constitucional 20/1998, que poderia provisionar recursos exclusivos para a Previdência.
O debate sobre a Previdência não pode ficar restrito a uma disputa ideológico-partidária, sujeito a influências de grupos dos mais diversos interesses. Quando isso acontece, quem perde sempre é a verdade. O diálogo sincero e fundamentado entre governo e sociedade deve ser buscado até à exaustão.   
Às senhoras e aos senhores parlamentares, fazemos nossas as palavras do Papa Francisco: “A vossa difícil tarefa é contribuir a fim de que não faltem as subvenções indispensáveis para a subsistência dos trabalhadores desempregados e das suas famílias. Não falte entre as vossas prioridades uma atenção privilegiada para com o trabalho feminino, assim como a assistência à maternidade que sempre deve tutelar a vida que nasce e quem a serve quotidianamente. Tutelai as mulheres, o trabalho das mulheres! Nunca falte a garantia para a velhice, a enfermidade, os acidentes relacionados com o trabalho. Não falte o direito à aposentadoria, e sublinho: o direito — a aposentadoria é um direito! — porque disto é que se trata.” 
Convocamos os cristãos e pessoas de boa vontade, particularmente nossas comunidades, a se mobilizarem ao redor da atual Reforma da Previdência, a fim de buscar o melhor para o nosso povo, principalmente os mais fragilizados.
Na celebração do Ano Mariano Nacional, confiamos o povo brasileiro à intercessão de Nossa Senhora Aparecida. Deus nos abençoe!

Brasília, 23 de março de 2017.


Cardeal Sergio da Rocha
Arcebispo de Brasília
Presidente da CNBB

Dom Murilo S. R. Krieger, SCJ
Arcebispo de São Salvador da Bahia
Vice-Presidente da CNBB

Dom Leonardo Ulrich Steiner, OFM
Bispo Auxiliar de Brasília
Secretário-Geral da CNBB
 

domingo, 19 de março de 2017

Leitura Orante - Domingo - 19/03/2013

Jo 4,5-42 - O encontro com a Samaritana

Preparo-me para a oração, rezando com todos os internautas:
Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo.
Creio, Senhor Jesus, que sou parte de seu Corpo.
Trindade Santíssima
- Pai, Filho, Espírito Santo,
presente e agindo na Igreja e na profundidade do meu ser,
eu vos adoro, amo e agradeço.
E invoco o Espírito Santo para que me ilumine na Leitura Orante:
Vinde Espírito Santo, enchei os corações dos vossos fiéis.
E acendei neles o fogo do vosso amor.
- Enviai, Senhor, o vosso Espírito e tudo será criado.
- E renovareis a face da terra.
Oremos:
Ó Deus, que instruistes os corações dos fiéis com as luzes do Espírito Santo, fazei que apreciemos retamente todas as coisas, segundo o mesmo Espírito e  gozemos sempre da sua consolação. Por Cristo Senhor nosso. Amém.

1. Leitura (Verdade) - O que a Palavra diz?
Começo lendo atentamente o texto do dia,  na minha Bíblia : Jo 4,5-42.

Chegou, pois, a uma cidade da Samaria, chamada Sicar, perto da propriedade que Jacó tinha dado a seu filho José. Havia ali a fonte de Jacó. Jesus, cansado da viagem, sentou-se junto à fonte. Era por volta do meio-dia. Veio uma mulher da Samaria buscar água. Jesus lhe disse: "Dá-me de beber!" Os seus discípulos tinham ido à cidade comprar algo para comer. A samaritana disse a Jesus: "Como é que tu, sendo judeu, pedes de beber a mim, que sou uma mulher samaritana?" De fato, os judeus não se relacionam com os samaritanos. Jesus respondeu: "Se conhecesses o dom de Deus e quem é aquele que te diz: 'Dá-me de beber', tu lhe pedirias, e ele te daria água viva". A mulher disse: "Senhor, não tens sequer um balde, e o poço é fundo; de onde tens essa água viva? Serás maior que nosso pai Jacó, que nos deu este poço, do qual bebeu ele mesmo, como também seus filhos e seus animais?" Jesus respondeu: "Todo o que beber desta água, terá sede de novo; mas quem beber da água que eu darei, nunca mais terá sede, porque a água que eu darei se tornará nele uma fonte de água jorrando para a vida eterna". A mulher disse então a Jesus: "Senhor, dá-me dessa água, para que eu não tenha mais sede, nem tenha de vir aqui tirar água"... Senhor, vejo que és um profeta! Os nossos pais adoraram sobre esta montanha, mas vós dizeis que em Jerusalém está o lugar em que se deve adorar". Jesus lhe respondeu: "Mulher, acredita-me: vem a hora em que nem nesta montanha, nem em Jerusalém adorareis o Pai. Vós adorais o que não conheceis. Nós adoramos o que conhecemos, pois a salvação vem dos judeus. Mas vem a hora, e é agora, em que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e verdade. Estes são os adoradores que o Pai procura. Deus é Espírito, e os que o adoram devem adorá-lo em espírito e verdade". A mulher disse-lhe: "Eu sei que virá o Messias (isto é, o Cristo); quando ele vier, nos fará conhecer todas as coisas". Jesus lhe disse: "Sou eu, que estou falando contigo".... Muitos samaritanos daquela cidade acreditaram em Jesus por causa da palavra da mulher que testemunhava: "Ele me disse tudo o que eu fiz". Os samaritanos foram a ele e pediram que permanecesse com eles; e ele permaneceu lá dois dias. Muitos outros ainda creram por causa da palavra dele, e até disseram à mulher: "Já não é por causa daquilo que contaste que cremos, pois nós mesmos ouvimos e sabemos que este é verdadeiramente o Salvador do mundo".


Refletindo

Neste  encontro,  Jesus conversa com uma mulher da Samaria. Ela própria se surpreende, porque os judeus não falavam com os samaritanos, a quem tratavam com hostilidade. O maravilhoso diálogo se desenvolve num jogo de pedir e recusar para chegar ao grandioso "dom de Deus". Falam de água do poço e da água viva, falam da vida familiar, falam da salvação, de culto, até que Jesus se apresenta claramente: "O Messias sou eu que estou falando contigo". Chegaram os discípulos e a mulher foi dizer aos seus vizinhos que encontrara o Messias. Com seu testemunho e também porque escutaram o Mestre, muitos creram nele.

2. Meditação (Caminho)
- O que a Palavra diz para mim?
Como são meus diálogos com Jesus?
Meditando

Os bispos, na Conferência de Aparecida, disseram:

"A admiração pela pessoa de Jesus, seu chamado e seu olhar de amor despertam uma resposta consciente e livre desde o mais íntimo do coração do discípulo, uma adesão de toda sua pessoa ao saber que Cristo o chama por seu nome (cf. Jo 10,3). É um “sim” que compromete radicalmente a liberdade do discípulo a se entregar a Jesus, Caminho, Verdade e Vida (cf. Jo 14,6). É uma resposta de amor a quem o amou primeiro “até o extremo” (cf. Jo 13,1). A resposta do discípulo amadurece neste amor de Jesus: “Te seguirei por onde quer que vás” (Lc 9,57)." (DAp 136).

3. Oração (Vida)

- O que a Palavra me leva a dizer a Deus? 

Rezo com toda a Igreja a

Oração da Campanha da Fraternidade


Deus, nosso Pai e Senhor,
nós vos louvamos e bendizemos,
por vossa infinita bondade.

Criastes o universo com sabedoria
e o entregastes em nossas frágeis mãos
para que dele cuidemos com carinho e amor.

Ajudai-nos a ser responsáveis e
zelosos pela Casa Comum.

Cresça, em nosso imenso Brasil,
o desejo e o empenho de cuidar mais e mais
da vida das pessoas,
e da beleza e riqueza da criação,
alimentando o sonho do novo céu e da nova terra
que prometestes.
Amém!

4. Contemplação(Vida/ Missão)

- Qual o meu novo olhar a partir da Palavra?

Meu olhar de contemplação é um olhar de conversão que cancela tudo aquilo que em minha vida é acomodação, indiferença, omissão, como evitar as pessoas que precisam de mim. Que Deus abençoe este meu propósito.

Bênção
- Deus nos abençoe e nos guarde. Amém.
- Ele nos mostre a sua face e se compadeça de nós. Amém.
- Volte para nós o seu olhar e nos dê a sua paz. Amém.
- Abençoe-nos Deus misericordioso, Pai e Filho e Espírito Santo. Amém.

Ir. Patrícia Silva, fsp

patricia.silva@paulinas.com.br

terça-feira, 14 de março de 2017

Mil catequistas recebem mandato em missa de envio na Catedral

No último domingo, dia 12, cerca de mil catequistas participaram da missa de envio e receberam o mandato para este ano. Na Catedral Metropolitana, a celebração contou com a presença do arcebispo, Dom Jaime Spengler, e dos bispos auxiliares Dom Leomar Brustolin e Dom Adilson Busin, além de presbíteros, seminaristas e religiosos.


Na procissão de entrada, as catequistas coordenadoras da Iniciação à Vida Cristã nos Vicariatos entraram com os símbolos do projeto: água, pão, óleo do Crisma e a cruz. Ao término da missa, foi entregue a carta anual do arcebispo de Porto Alegre aos catequistas.



 (Fonte)

Arquidiocese de Porto Alegre tem mais 650 novos catequistas

Cerca de 650 novos catequistas participaram no último sábado, dia 11, da formação para a Iniciação à Vida Cristã (IVC), realizada na Paróquia São João, em Porto Alegre. O número surpreendeu a coordenação da IVC, que esperava entre 300 e 400 catequistas. Entre os participantes não estavam os novos catequistas de Batismo, que terão formação específica em julho.


“Percebe-se que a Arquidiocese aumentou significativa o número de catequistas. Esse dado expressa compromisso das comunidades e do clero e traz uma renovada esperança para a nova evangelização”, destaca Dom Leomar Brustolin, bispo auxiliar e referencial da Iniciação à Vida Cristã na Arquidiocese. Dom Leomar salienta ainda o aumento de jovens que decidiram participar do projeto, assim como de homens de diferentes idades, que decidiram colaborar na catequese de crianças, adolescentes e adultos.

A jornada formativa apresentou o projeto da Arquidiocese, explicitou a metodologia de inspiração catecumenal e dedicou muita atenção à Leitura Orante com a Bíblia. Após as conferências principais, os catequistas foram agrupados de acordo com as etapas de catequese que atuarão. Nessas oficinas propôs-se uma experiência prática de Leitura Orante da Palavra aplicada à metodologia catequética. “O objetivo é aprender experimentando”, explica o bispo. 

Na parte da tarde ocorreu uma explicitação dos passos de um encontro de catequese e dedicou-se um tempo para que os catequistas pudessem fazer questões que preocupam e dirimir dúvidas sobre o caminho. Dom Leomar, em nome do arcebispo metropolitano de Porto Alegre, Dom Jaime Spengler, conferiu o mandato aos 650 catequistas. Eles foram enviados a evangelizar com a Palavra e o exemplo. “O Espírito conduzirá o vosso caminho e o Senhor estará convosco todos os dias”, garantiu o bispo.

quarta-feira, 8 de março de 2017

Sete atitudes de mulheres da Bíblia que toda cristã deveria imitar

Sete atitudes de mulheres da Bíblia que toda cristã deveria imitar

 


Neste mês de março, comemoramos o Dia Internacional da Mulher. Realmente, uma data para ser comemorada, pois as mulheres têm, cada vez mais, destacado-se na sociedade, dando lhe grandes contribuições. Não é diferente no meio cristão. Hoje, pesquisas afirmam que as mulheres já são maioria nas igrejas. Elas têm sido uma grande bênção na vida da Igreja do Senhor Jesus. Apesar do grande machismo existente nas culturas descritas na Bíblia, encontramos a menção de grandes mulheres que têm muito a nos ensinar. Em homenagem às mulheres, gostaria de destacar sete atitudes de mulheres da Bíblia que todo cristão deveria imitar.

1) A humildade de Maria, mãe do Senhor Jesus

Maria foi escolhida dentre diversas moças para ser a mãe do Salvador. Talvez isso pudesse trazer ao coração dela certo orgulho, certa altivez. Ela, no entanto, declarou algo que todos nós precisamos declarar diariamente a Deus: “Então, disse Maria: ‘A minha alma engrandece ao Senhor, e o meu espírito se alegrou em Deus, meu Salvador, porque contemplou na humildade da sua serva. Pois, desde agora, todas as gerações me considerarão bem-aventurada’…” (Lc 1,46-48). A humildade de Maria, em colocar-se nas mãos de Deus e cooperar com o Senhor na Sua grande missão, é algo realmente fascinante, que todo crente deveria imitar.

2) A perseverança na oração de Ana

Ana não tinha uma vida fácil. Seu marido Elcana havia se aproveitado da tradição para ter duas mulheres (1 Sm 1,2). Ainda por cima, Ana era estéril, algo considerado como uma espécie de maldição em sua época. Era desprezada pela outra esposa do marido e carregava grande tristeza no coração por causa de tudo isso (1 Sm 1,6). Mas não desistiu de seu objetivo de ter um filho e não se entregou à murmuração, antes, foi perseverante na oração e pode declarar: “Ela concebeu e, passado o devido tempo, teve um filho, a que chamou Samuel, pois dizia: Do Senhor o pedi.” (1Sm 1,20)

3) A coragem de Maria Madalena para superar o passado

A Bíblia diz que Maria Madalena era uma endemoninhada. Jesus expeliu dela sete demônios (Lc 8,2). Não temos muitos detalhes do passado dessa mulher, mas, certamente, não foi um passado que agradasse a Deus. Ela, no entanto, teve a coragem de superar o seu passado negro e ser uma grande serva do Senhor Jesus. Ela é mencionada sempre em companhia dos discípulos, e foi a primeira a saber e crer na ressurreição de Jesus Cristo (Mt 28:1). Foi uma mulher que mostrou uma superação inigualável, um verdadeiro retrato da transformação que Deus opera na vida das pessoas.

4) A sabedoria de Miriam para superar as crises
O Faraó havia determinado que cada egípcio deveria matar os meninos que nascessem às hebreias (Ex 1:22). Essa ordem colocou em risco a vida de Moisés, que era ainda um bebê. Mas a estratégia da mãe de Moisés e Miriam, sua irmã, salvou a vida d’Ele. Mas não foi fácil. A menina Miriam mostrou uma sabedoria grandiosa ao seguir o menino que fora colocado num cesto no rio, convencendo a filha do faraó a entregar o menino à própria mãe, para que cuidasse dele por um tempo (Ex 2,7). Ela salvou a vida de Moisés com a sua forma sábia de lidar com as situações adversas.

5) O temor de Deus da prostituta Raabe

Raabe é mencionada na Bíblia como sendo uma prostituta. A Bíblia não esconde o que ela era. Mas também não esconde a mudança que estava ocorrendo no coração dela. Na conversa que teve com os espiões de Israel, que ela escondeu em sua casa com o objetivo de protegê-los, ela nos mostra um grandioso temor a Deus: “Ouvindo isto, desmaiou-nos o coração, e em ninguém mais há ânimo algum, por causa da vossa presença; porque o Senhor, vosso Deus, é Deus em cima nos céus e embaixo na terra.” (Js 2,11). Uma grande confissão de temor ao Senhor. Considerando que Raabe vivia em meio a um povo pagão, a declaração dela mostra quão grande foi seu temor. Tão grande foi a atitude dela diante de Deus, que ela faz parte da genealogia de Jesus Cristo (Mt 1,5).

6) O fervor missionário da mulher samaritana

A mulher samaritana, como todos sabem, teve um grande encontro com Jesus próximo de um poço onde foi buscar água (Jo 4,9). Jesus lhe revela os erros que ela havia cometido no passado e no presente, e traz a ela uma palavra muito poderosa que impactou o coração dessa mulher. Resultado? O fervor missionário tomou conta do coração dessa mulher, que pregou as palavras de Jesus ao Seu povo, que não O conhecia: “Quanto à mulher, deixou o seu cântaro, foi à cidade e disse àqueles homens: Vinde comigo e vede um homem que me disse tudo quanto tenho feito. Será este, porventura, o Cristo? Saíram, pois, da cidade e vieram ter com ele.” (Jo 4,28-30)

7) O caráter da mulher virtuosa sem nome de provérbios

Os últimos versos do livro de Provérbios são dedicados a louvar o caráter de uma mulher que não tem nome, mas que bem poderia ser algumas das grandes mulheres de Deus, que existiram e existem em nossos tempos. Essa mulher apresenta virtudes no cuidado da família, do marido, dos filhos; na forma honesta e dedicada com que trabalha; no exemplo que dá ao próximo, na forma sabia com que vive sua vida etc. Esse texto mostra um resumo das qualidades das mulheres de Deus e como elas são importantes.

(Fonte)

segunda-feira, 6 de março de 2017

Como lidar com o diferente?

Saiba como é lidar com o diferente e reflita sobre o assunto

Como saber trabalhar com as diferenças dentro de nossos convívios, com aqueles que ainda não comungam com a maneira que vivemos nossa espiritualidade?

De maneira muito simples, Denis Duarte contextualiza a realidade relatada por São Paulo aos Coríntios (cf. I Cor 5,1,13) e nos esclarece o sentido de algumas expressões usadas pelo autor e que poderão nos causar estranheza ao fazermos a mesma leitura.

Como-lidar-com-o-diferente

Leia o texto

Ouve-se dizer por toda parte que há entre vós um caso de desregramento, e de um desregramento tal como não se encontra nem sequer entre os pagãos: um de vós vive com a mulher de seu pai. E vós estais inchados de orgulho! E não tomastes, de preferência luto, a fim de que o autor desta ação fosse retirado do meio de vós? Quanto a mim, ausente de corpo, mas presente em espírito, já julguei, como se estivesse presente, aquele que cometeu tal ação: em nome do Senhor Jesus, e com o seu poder, por ocasião de uma assembleia na qual estarei espiritualmente entre vós, seja tal homem entregue a Satanás para a destruição da sua carne, a fim de que o espírito seja salvo no dia do Senhor.
Não é nobre o vosso motivo de orgulho! Não sabeis que um pouco de fermento faz fermentar toda a massa? Purificai-vos do fermento velho para serdes uma massa nova, visto que sois sem fermento. Pois o Cristo, nossa páscoa, foi imolado. Celebremos pois a festa, não com fermento velho, nem com fermento de maldade e perversidade, mas com pães sem fermento: na pureza e na verdade.
Eu vos escrevi na minha carta que não tivésseis relações com os devassos. Eu não visava de modo geral aos devassos deste mundo, ou aos gananciosos e aos rapaces ou aos idólatras, pois neste caso precisaríeis sair do mundo. Não, eu vos escrevi que não tivésseis relações com um homem que traz o nome de irmão se é devasso, ou rapace ou idólatra ou caluniador ou beberrão ou ladrão, e até que não tomásseis refeição com tal homem. Acaso compete a mim julgar os de fora? Não são os de dentro que tendes de julgar? Os de fora, Deus os julgará. Tirai o mau do vosso meio.” (Primeira Epístola aos Coríntios 5,1-13)

 

Mais informações sobre o texto

Mais uma vez, São Paulo enfrenta a autossuficiência da Igreja de Corinto, pois, além das divisões, recebe notícias do cometimento da luxúria (5,1). E o apóstolo deixa claro que esse fato é uma vergonha e um perigo, especialmente por três motivos:

1. Tanto a lei judaica quanto os pagãos condenavam tal prática. Haja vista que nem entre os pagãos a quem viva com a mulher de seu pai (5,1b). 2. Problemas com imoralidades pareciam ser algo costumeiro dentro da comunidade, por vezes permitido e até institucionalizado (5,2). 3. Pode prejudicar toda a comunidade e por isso é preciso banir o culpado (5,2b).

São Paulo sugere uma reunião para que se julgue o caso (5,4). E o apóstolo dos gentios, mesmo distante fisicamente, já dá seu voto (5,3). E seu julgamento é que o culpado seja entregue a satanás (5,5). Essa deve ser uma expressão equivalente à excomunhão.

Vale chamar à atenção para um fato: que essa excomunhão é uma punição voltada para a correção da pessoa, ou seja, para que o culpado se salve e não se perca. Existe um outro caso de excomunhão em Corinto, no qual o sujeito foi readmitido na comunidade após mostrar que mudou (cf. II Cor 2,5-11). Por isso a excomunhão era ato de caridade e salvação.

São Paulo reforça que não faz sentido o orgulho de abrigar pessoas que vivem nessa situação, pois isso pode prejudicar toda a comunidade (5,6). O apóstolo mostra que já alertou, numa carta anterior, sobre o tipo de relação que os membros da comunidade deveriam ter com as pessoas sem pudor (5,9). E volta a explicar como deve ser essa relação, utilizando-se de uma distinção: os de fora e os de dentro.

O relacionamento com as pessoas imorais e que estão fora da comunidade deve pautar-se numa convivência social normal, pois, caso contrário, terão de sair do mundo. Mas a relação com os impuros que estão dentro da comunidade deve ser muito diferente. Pois quanto a esses (e que ainda se dizem irmãos) não se deve ter contato (nem conversar nem comer), porque podem prejudicar toda a comunidade.

Isso é uma medida extrema de proteção da comunidade que vivia num ambiente cercado pela corrupção moral. Era um grupo pequeno se comparado ao tamanho e influências da cidade. Ao mesmo tempo, reflete a identidade que deve ter a comunidade ao viver o ensinamento dos apóstolos (ensinado em todas as Igrejas), ao seguimento de Jesus, testemunho cristão, a correção fraterna.

Resumindo: os de fora Deus os julgará, nosso papel com eles é anunciar o Evangelho, para que façam uma opção de vida diferente. Por isso não os posso julgar, mas sim lhes anunciar a Boa Nova e os acolher. Os de dentro, já tendo recebido o anúncio e sendo catequizados, devem viver de acordo com a opção que fizeram. Daí julgar os de dentro.

Como aplicar o texto na vida

– Faço essa distinção entre “os de dentro” e “os de fora”?
– Convivo com espírito de acolhimento e testemunho com as pessoas “de fora” da minha opção de vida?
– Como lido com as pessoas “de dentro”, que semeiam ideias e práticas contrárias às da minha opção de vida cristã?

 (Fonte)

sexta-feira, 3 de março de 2017

Missões Franciscanas da Juventude


Os Franciscanos do RS, através do projeto Gurizada Franciscana, promoverão em 2017 a 1ª edição das Missões Franciscanas da Juventude. Esta missão é um espaço para todos os jovens que admiram e simpatizam com o carisma de São Francisco e Santa Clara de Assis. Ela destina-se a jovens acima dos 14 anos, que, durante três dias, serão convidados a realizar uma experiência missionária em uma das frentes de trabalho, onde os Franciscanos atuam no RS. Esta experiência compreende formação, integração, visita e oração nas famílias, tendo como objetivo:
a) Proporcionar à juventude experiência missionária a partir do carisma de São Francisco e Santa Clara de Assis.
b) Responder ao apelo do Papa Francisco de “Sermos uma Igreja em saída”.
c) Promover a cultura do encontro através da partilha e troca de experiências.
d) Deixar marca da evangelização franciscana no local que acolhe a missão.
O local escolhido para sediar a primeira edição das Missões Franciscanas da Juventude foi a Paróquia Rede de Comunidades São José de Gravataí. Neste ano de 2017, os Franciscanos estarão celebrando 25 anos da sua presença naquela região e, por isso, decidiu-se realizar lá esta primeira missão. A data escolhida, 21, 22 e 23 de abril de 2017 e o lema será: “Vai e reconstrói a paz”.
Para participar e ser um “Missionário da Paz” o jovem deve preencher o formulário abaixo e também efetuar o depósito da taxa de inscrição no valor de R$ 50,00 (para as despesas com alimentação e confecção do kit missionário. O pouso será nas famílias). As inscrições vão até o dia 31/03/2017 ou até preencher as 150 vagas disponíveis (Para garantir a vaga é preciso realizar o depósito). Após se inscrever, o jovem missionário será contatado pela equipe de organização para as demais informações.
O que? MISSÕES FRANCISCANAS DA JUVENTUDE
Quando? 21,22 e 23 de abril de 2017
Onde? Paróquia Rede de Comunidade São José de Gravataí
Investimento: R$ 50,00 por participante
Depósito Banrisul: Agência:1028 Conta: 41002706.3-3 (Paróquia São José – Mitra Arquidiocese de Porto Alegre) Enviar o comprovante para o email: gurizadafranciscana@gmail.com

Para fazer sua inscrição ou obter maiores informações, Clique Aqui!

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quinta-feira, 2 de março de 2017

Campanha da Fraternidade 2017


Começando a Quaresma de 2017, introduzimos também o tema da Campanha da Fraternidade, que neste ano fala dos Biomas brasileiros, ligando a realização da vida humana com as realidades do território. A libertação do povo depende de sua sintonia com a terra, como diz a bíblia: “Se o Senhor nos quer bem, ele nos introduzirá nela e nos dará esta terra, onde corre leite e mel” (Nm 14,8).

“Fraternidade: biomas brasileiros e defesa da vida” é o tema da Campanha deste ano. A fundamentação bíblica, identificada no lema: “Cultivar e guardar a criação” (Gn 2,15). Na criação, Deus aparece como sendo um oleiro, quando diz: “Então o Senhor Deus formou o ser humano com o pó do solo, soprou-lhe nas narinas o sopro da vida, e ele tornou-se um ser vivente” (Gn 2,7).

A natureza criada deve ser fonte de vida e de dar condições para que o ser vivente tenha condição de se sobreviver. Mas tudo deve contribuir para que a pessoa humana viva com dignidade, porque ela é o objetivo de toda a criação. Aí está a importância dos seis biomas do território brasileiro. Cada um deles deve oferecer o necessário para a população construir seus objetivos de vida.

A destruição dos biomas é uma transgressão à natureza. É tirar sua capacidade de preservação da vida, que depende de terra produtiva, fértil e trabalhável. Todos eles (Amazônia, Caatinga, Cerrado, Mata Atlântica, Pampa e Pantanal) têm sua biodiversidade prejudicada. Em determinados locais é impensável uma recuperação total, porque a exploração chegou a um grau máximo.

A dimensão econômica do poder é uma tentação. Não basta ter o necessário para uma sobrevivência com dignidade. O acúmulo mata a vida, porque impossibilita que outros sejam também felizes. Nessas condições não importa destruir, devastar, provocar deserto e matar o bioma. A força do poder não mede as consequências desastrosas para a grande massa impossibilitada para competir.

A reflexão da Quaresma nos ajuda a superar a ideologia do poder destruidor. É um caminho de conversão, porque o ser humano foi criado em íntima união com a terra. Terra que precisa ser cuidada com carinho, com respeito e responsabilidade. O trabalho feito nela tem que ser com sustentabilidade e assim ser preservada contra todo tipo de ação predatória, porque quem mais sofre é a pessoa humana.

Dom Paulo Mendes Peixoto
Arcebispo de Uberaba.

quarta-feira, 1 de março de 2017

Qual o sentido da Quarta-feira de Cinzas?

A Quarta-feira de Cinzas marca o início da Quaresma

A Quarta-feira de Cinzas foi instituída há muito tempo na Igreja; marca o início da Quaresma, tempo de penitência e oração mais intensa. Para os antigos judeus se sentar sobre as cinzas já significava arrependimento dos pecados e volta para Deus. As Cinzas bentas e colocadas sobre as nossas cabeças nos fazem lembrar que vamos morrer; que somos pó e que ao pó da terra voltaremos (cf. Gn 3, 19) para que nosso corpo seja refeito por Deus de maneira gloriosa para não mais perecer.

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Qual é o sentido?

A intenção deste sacramental é levar-nos ao arrependimento dos pecados, marcando o início da Quaresma; e fazer-nos lembrar que não podemos nos apegar a esta vida achando que a felicidade plena possa ser construída aqui. É uma ilusão perigosa. A morada definitiva é o céu.

A maioria das pessoas, mesmo os cristãos, passa a vida lutando para “construir o céu na terra”. É um grande engano. Jamais construíremos o céu na terra; jamais a felicidade será perfeita no vale em que o pecado transformou num vale de lágrimas. Devemos, sim, lutar para deixar a vida na terra cada vez melhor, mas sem a ilusão de que ficaremos sempre aqui.

Deus dispôs tudo de modo que nada fosse sem fim aqui nesta vida. Qual seria o desígnio do Senhor nisso? A cada dia de nossa vida temos de renovar uma série de procedimentos: dormir, tomar banho, alimentar-nos, etc… Tudo é precário, nada é duradouro, tudo deve ser repetido todos os dias. A própria manutenção da vida depende do bater interminável do cora­ção e do respirar contínuo dos pulmões. Todo o organismo repete, sem cessar, suas operações para a vida se manter. Tudo é transitório… nada eterno. Toda criança se tornará um dia adulta e, depois, idosa. Toda flor que se abre logo estará murcha; todo dia que nasce logo se esvai… e assim tudo passa, tudo é transi­tório.

Por que será? Qual a razão de nada ser duradouro?

Com­pra-se uma camisa nova e, logo, já está surrada; compra-se um carro novo e, logo, ele estará bastante rodado e vencido por novos modelos, e assim por diante.

A razão inexorável dessa precariedade das coisas também está nos planos de Deus. A marca da vida é a renovação. Tudo nasce, cresce, vive, amadurece e morre. A razão profunda dessa realidade tão transitória é a lição cotidiana que o Senhor nos quer dar de que esta vida é apenas uma passagem, um aperfeiçoamento, em busca de uma vida duradoura, eterna, perene.

Em cada flor que murcha e em cada homem que falece, sinto Deus nos dizer: “Não se prendam a esta vida transitória. Preparem-se para aquela que é eterna, quando tudo será duradouro, e nada precisará ser renovado dia a dia.”

E isso mostra-nos também que a vida está em nós, mas não é nossa. Quando vemos uma bela rosa murchar é como se ela estivesse nos dizendo que a beleza está nela, mas não lhe pertence.

Ainda assim, mesmo com essa lição permanente que Deus nos dá, muitos de nós somos levados a viver como aquele homem rico da parábola narrada por Jesus. Ele abarrotou seus celeiros de víveres e disse à sua alma: “Descansa, come, bebe e regala-te” (Lc 12,19b); ao que o Senhor lhe disse: “Insensato! Nesta noite ainda exigirão de ti a tua alma” (Lc 12,20).

A efemeridade das coisas é a maneira mais prática e cons­tante encontrada por Deus para nos dizer, a cada momento, que aquilo que não passa, que não se esvai, que não morre, é aquilo de bom que fazemos para nós mesmos e, principalmente, para os outros. Os talentos multiplicados no dia a dia, a perfei­ção da alma buscada na longa caminhada de uma vida de me­ditação, de oração, de piedade, essas são as coisas que não passam, que o vento do tempo não leva e que, finalmente, nos abrirão as portas da vida eterna e definitiva, quando “Deus será tudo em todos” (cf. 1 Cor 15,28).

A transitoriedade de tudo o que está sob os nossos olhos deve nos convencer de que só viveremos bem esta vida se a vivermos para os outros e para Deus. São João Bosco dizia que “Deus nos fez para os outros”. Só o amor, a caridade, o oposto do egoísmo, pode nos levar a compreender a verdadeira di­mensão da vida e a necessidade da efemeridade terrena.

E se a vida fosse incorruptível?

Se a vida na terra fosse incorruptível, muitos de nós jamais pensarí­amos em Deus e no céu. Acontece que o Todo-poderoso tem para nós algo mais excelente, aquela vida que levou São Paulo a exclamar:

“Coisas que os olhos não viram, nem os ouvidos ouviram, nem o coração humano imaginou (Is 64,4), tais são os bens que Deus tem preparado para aqueles que o amam” (1 Cor 2,9).

A corruptibilidade das coisas da vida deve nos convencer de que Deus quer para nós uma vida muito melhor do que esta – uma vida junto d’Ele. E, para tal, o Senhor não quer que nos acostumemos com esta [vida], mas que busquemos a outra com alegria, onde não have­rá mais sol porque o próprio Deus será a luz, nem haverá mais choro nem lágrimas.

Aqueles que não creem na eternidade jamais se confor­marão com a precariedade desta vida terrena, pois sempre so­nharão com a construção do céu nesta terra. Para os que creem a efemeridade tem sentido: a vida “não será tirada, mas transformada”; o “corpo corruptível se revestirá da incorrupti­bilidade” (cf 1Cor 15,54) em Jesus Cristo.

A expectativa do céu

Santa Teresinha não se cansava de exclamar:

“Tenho sede do Céu, dessa mansão bem-aventurada, onde se amará Jesus sem restrições. Mas, para lá chegar é preciso sofrer e chorar; pois bem! Quero sofrer tudo o que aprouver a meu Bem Amado, quero deixar que Ele faça de sua bolinha o que Ele quiser”.

São Paulo lembrou aos filipenses: “Nós somos cidadãos do Céu!. É de lá que também esperamos o Salvador, o Senhor Jesus Cristo. Ele transformará nosso corpo miserável, para que seja conforme o seu corpo glorioso, em virtude do poder que tem de submeter a si toda a criatura” (Fl 3, 20-21).

A esperança do Céu e da Sua glória fazia o Apóstolo dizer:

“Os olhos não viram, nem ouvidos ouviram, nem o coração humano imaginou (Is 64,4), o que Deus tem preparado para aqueles que o amam” (1 Cor 2,9).

E essa esperança lhe dava as forças necessárias para vencer as tribulações: “Tenho para mim que os sofrimentos da vida presente não têm proporção alguma com a glória futura que nos deve ser manifestada” (Rom 8,18).

Este é o sentido das Cinzas.

(Fonte)

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