quarta-feira, 14 de agosto de 2019

O que diz a Bíblia sobre o aborto?

A vida é importante e, por isso, não se justifica o aborto. Cabe aos cristãos lutarem e afirmarem a vida

Existe hoje em muitos países, inclusive no Brasil, uma campanha entre autoridades civis, médicos, algumas entidades sociais etc., que defendem o direito da mulher de praticar abortos em vários estágios do desenvolvimento do bebê. O apoio de tais pessoas ou entidades à autorização ou ao direito da mulher em abortar é a exaltação à cultura da violência e da morte.

O objetivo deste artigo é fundamentar na Palavra de Deus e no Magistério Católico o valor inviolável da pessoa humana, a dignidade da pessoa, desde a concepção até o fim da vida e, com isso, manifestar o repúdio a qualquer lei, ideias, posições e cultura que defendam o aborto. Todos têm direito à vida.


Compreensão à luz da Bíblia a respeito do aborto

A Sagrada Escritura não tem referências diretas e explícitas em relação ao aborto, ou seja, não existe na Bíblia o mandamento “não abortarás”. A Bíblia, mesmo não apresentando ensinamentos diretos sobre o aborto, oferece uma cosmovisão e ensinamentos decididamente a favor da vida e da sacralidade da mesma, como afirma São João Paulo II na carta encíclica “Evangelium Vitae” no número 39.

Alguns textos bíblicos:

“Todo aquele que derramar o sangue humano terá seu próprio sangue derramado pelo homem, porque Deus fez o homem à sua imagem” (Gn 9,6).

“Tu modelaste as entranhas do meu ser e formaste-me no seio de minha mãe. Dou-te graças por tão espantosas maravilhas; admiráveis são as tuas obras. Conhecias até o fundo da minha alma. (…) Eu não passava de um esboço, e os teus olhos me viram, e todas elas foram escritas em vosso livro; cada dia de minha vida foi prefixado, desde antes que um só deles existisse” (Sl 139 [138],13-14.16).

“Não matarás” (Ex 20,13).

“Se homens brigarem, e acontecer que venham a ferir uma mulher grávida, e essa der à luz sem nenhum dano, eles serão passíveis de uma indenização imposta pelo marido da mulher, e que pagarão diante dos juízes. Mas, se houver outros danos, urge dar vida por vida” (Ex 21,22-23).

“Todo aquele que ferir mortalmente um homem será morto” (Lv 24,17).

“Antes que no seio fosses formado, eu já te conhecia; antes de teu nascimento, eu já te havia consagrado, e te havia designado profeta das nações” (Jr 1,5).

"Ouvistes o que foi dito aos antigos: Não matarás, mas quem matar será castigado pelo juízo do tribunal” (Mt 5,21).

“Não matarás (…)” (Mt 19,18; Mc 10,19; Lc 18,20; Rm 13,9; Tg 2,11).

“Eu vim para que tenham vida, e a tenham em abundância” (Jo 10,10).

“Não se arrependeram de seus homicídios, seus malefícios, suas imundícies” (Ap 9,21).

Compreensão antropológica-teológica

A pessoa humana é “imagem e semelhança de Deus” (Gn 1,26), tem por vocação o chamado a participar da própria vida de Deus em Jesus Cristo. Desde o momento da concepção, a vida de qualquer ser humano, deve ser respeitada de modo absoluto, pois a pessoa é a única criatura que Deus quis por si mesma.

A vida humana é sagrada! Porque desde o início comporta a ação criadora de Deus, e é chamada a permanecer para sempre em relação vital com o criador. Somente Deus é Senhor da vida, desde seu início até o seu fim, por isso, ninguém em nenhuma circunstância, pode reivindicar para si o direito de destruir diretamente um ser humano inocente. Todo ser humano, inclusive a criança no útero materno, possui o direito à vida imediatamente de Deus, não dos pais nem de qualquer outra autoridade humana.

Compreensão à luz do Magistério Católico

O Catecismo da Igreja Católica, no número 2270, afirma que, “a vida humana deve ser respeitada e protegida de maneira absoluta a partir do momento da concepção. Desde o primeiro momento de sua existência, o ser humano deve ver reconhecidos os seus direitos de pessoa, entre os quais o direito inviolável de todo ser inocente à vida”.

A constituição Pastoral “Gaudium et Spes”, número 27, diz que: “Tudo o que atenta contra a própria vida, como qualquer espécie de homicídios, o genocídio, o aborto (…), é efetivamente digna de censura”; e no número 51, “existem os que ousam trazer soluções desonestas a esses problemas e não recuam até mesmo diante da destruição da vida. (…) Deus, com efeito, que é o Senhor da vida, confiou aos homens o nobre encargo de preservar a vida, para ser exercido de maneira condigna do homem. Por isso, a vida deve ser protegida com o máximo cuidado desde a concepção”.

A Congregação para a Doutrina da Fé na Instrução “Donum Vitae” sobre o respeito à vida humana nascente, e a dignidade da procriação, (nº 17 e seguintes), afirma que: “Desde o momento da concepção, a vida de todo ser humano deve ser respeitada de modo absoluto, porque o homem é, na terra, a única criatura que Deus “quis por si mesma”. A vida é sagrada porque comporta “a ação criadora de Deus” e permanece para sempre em uma relação especial com o criador, seu único fim”.

Conclusão

No entanto, a vida de uma criança no ventre da mãe deve ser protegida pela lei, cada qual no seu estágio de desenvolvimento. Trata-se de um direito inalienável. Permitir a cessação dessa vida é praticar o crime de aborto. Independentemente do estágio de desenvolvimento ou do estado de saúde, a vida humana sempre deve ser preservada e defendida. Não podemos admitir exceções. A Igreja se mostra radical quando o assunto é a defesa da vida humana, em particular a indefesa. A defesa da vida humana tem de ser garantida, apesar do que possa se desenvolver depois. A Igreja Católica sempre se posiciona em  defesa da inviolabilidade da vida humana, mesmo ainda não nascida.

Qualquer lei contrária à vida, nesse caso, a vida da criança ainda no útero da mãe, não é moral. Na mão das autoridades constituídas, a norma facilmente se torna instrumento de manipulação e dominação das consciências.

A sociedade civil com suas leis deve favorecer a vida e o bem comum de um determinado povo. As leis do Estado são obrigatórias “em consciência”, ou seja, não automaticamente, mas após um exame de consciência que tem como critério de avaliação a lei revelada e a lei natural. As leis civis injustas são aquelas que se opõem à vida e ao bem comum do povo. Essas não obrigam em consciência, pelo contrário, existe a obrigação moral de não seguir as suas disposições e de tentar mudá-las (At 5,29); e se isso não for possível, que se tente reduzir os seus efeitos negativos (cf. Catecismo da Igreja Católica, nº 2254, 2255 e 2256).

A morte direta e voluntária de um ser humano inocente é sempre e gravemente imoral. Importante lembrar do que nos disse São João Paulo II: “Nada e ninguém pode autorizar que se dê a morte a um ser humano inocente, seja ele feto ou embrião, criança ou adulto, velho, doente incurável ou agonizante” (Evangelium Vitae, nº 57). O papa ainda afirma que, “dentre todos os crimes que o homem pode realizar contra a vida, o aborto provocado apresenta características que o tornam particularmente grave e (…), juntamente com o infanticídio, 'crime abominável’” (Evangelium Vitae, nº 58).

A Igreja Católica é coerente com o pensamento de Jesus que assumiu a condição humana para trazer vida a todos e vida em abundância. A Igreja sempre se posiciona em defesa da inviolabilidade da vida humana, mesmo ainda não nascida. A proteção da vida humana inocente e indefesa deveria interessar a todos, acima de concepções religiosas ou ideológicas; é questão de humanidade, não apenas de religião; a vida deve ser acolhida como dom e compromisso. Há uma enorme diferença ética, moral e espiritual entre a morte natural e a morte provocada, aplica-se aqui, o mandamento: “Não matarás” (Ex 20,13).

A vida é importante e, por isso, não se justifica o aborto. Cabe aos cristãos lutarem e afirmarem a vida. O aborto é um problema profundamente humano e, dessa forma, exige ser enfrentado e resolvido à luz da razão e por todos. A vida é sagrada e deve ser respeitada até o final, ou seja, não se pode adiantar o final da vida. A vida é o que temos de mais precioso.

Padre Mário Marcelo
Mestre em zootecnia pela Universidade Federal de Lavras (MG), padre Mário é também licenciado em Filosofia pela Fundação Educacional de Brusque (SC) e bacharel em Teologia pela PUC-RJ. Mestre em Teologia Prática pelo Centro Universitário Assunção (SP). Doutor em Teologia Moral pela Academia Alfonsiana de Roma/Itália. O sacerdote é autor e assessor na área de Bioética e Teologia Moral; além de professor da Faculdade Dehoniana em Taubaté (SP). Membro da Sociedade Brasileira de Teologia Moral e da Sociedade Brasileira de Bioética.

quarta-feira, 7 de agosto de 2019

A Ideologia de Gênero





Nem tudo que é cultural é errado, mas precisamos discernir o que é real e o que é loucura.

Primeiramente, precisamos entender dois conceitos-chave para compreendermos o assunto a seguir. O primeiro é o que é “ideologia”. Essa palavra não significa um conjunto de ideias simplesmente como muitos pensam. Ideologia significa um conjunto de ideias falsas ou verdadeiras (podem conter as duas juntas), a serviço de interesses religiosos, políticos, econômicos e, hoje, também os interesses sexuais. O outro conceito que precisamos entender bem é o de sofisma. Um sofisma é uma ideia falsa que parece ser verdadeira, um argumento que transforma uma mentira em algo com aparência de verdade.
Com esses dois conceitos apreendidos, podemos esclarecer o tema abordado nesse artigo.

Ideologia de gênero é uma “ideologia” que atende a interesses políticos e sexuais de determinados grupos, que ensina, nas escolas, para crianças, adolescentes e adultos, que o gênero (o sexo da pessoa) é algo construído pela sociedade e pela cultura, as quais eles acusam de patriarcal, machista e preconceituosa. Ou seja, ninguém nasce homem ou mulher, mas pode escolher o que quer ser. Pois comportamentos e definições do ser homem ou mulher não são coisas dadas pela natureza e pela biologia, mas pela cultura e pela sociedade, segundo a ideologia de gênero.

Bem, vamos aqui fazer o discernimento necessário: existem verdades e mentiras nesses argumentos.

Primeiro vamos colocar as verdades:

Realmente, alguns comportamentos são culturais, por exemplo, as cores, alguns aspectos dos papéis masculino e feminino que não envolvem as questões biológicas obrigatoriamente, o machismo que colocou a mulher fora da sociedade por muitos séculos etc.

No entanto, precisamos entender, em primeiro lugar, que a cultura não é algo que deve ser desprezado, pois indica normas de comportamentos e papéis que organizam uma sociedade e estruturam as pessoas psiquicamente, um exemplo disso é que uma cultura que se desmorona como de algumas tribos indígenas no Brasil, desmorona também o psiquismo dos seus membros. Então, nem tudo que é cultural é errado, muito ao contrário, o cultural pode ser estruturante e saudável para a sobrevivência de uma sociedade, de uma tribo ou de uma comunidade.

Em segundo lugar, os papéis (muitas vezes realçados pelos brinquedos infantis, pelas cores etc) são de extrema importância para o psiquismo saudável, para que a pessoa possa construir sua identidade, inclusive a sexual. 

A ideologia de gênero quer incutir na nossa mente que esses papéis são apenas criações culturais machistas e patriarcais para a dominação do homem sobre as mulheres. Mas será que um homem pode exercer o papel de mãe? Será que uma mulher pode ter a mesma força física de um homem de forma natural, sem nenhum recurso externo como hormônios masculinos? Será que um homem que nasce homem poderá mesmo ser mulher um dia?

Um dia, ouvi, na homilia de um padre da Canção Nova, uma fala muito interessante: um homem que troca de sexo, colocando útero e seios, sempre será um homem com útero e seios, nunca uma mulher. Mas a ideologia de gênero deseja incutir essa falta de realidade em nossa cabeça, dizendo que podemos ser o que quisermos e que é natural nascer homem e passar a ser mulher por causa da opção sexual. Sendo que as crianças e os adolescentes poderão, ingenuamente, crer nisso.

Temos de entender que existem os aspectos biológicos que não podem ser negados, eles são reais e dados. Loucura são as vezes que escapamos da realidade para fazer de nossas fantasias, alucinações e delírios uma realidade. Hoje, vivemos a loucura, em que as pessoas fazem de seus delírios uma realidade e ainda querem impô-las aos outros por meio de leis.

Podemos respeitar a todos, não os discriminar, nunca ser violentos ou fazer acepção de pessoas, pois Jesus Cristo jamais faria isso. Mas vamos discernir bem o que é loucura e o que é real.

Arlene Denise Bacarji
Possui graduação em filosofia pela Universidade Católica Dom Bosco (1991), mestrado em Sociologia pela Universidade Federal do Paraná (2000), mestrado em Teologia pela PUC (RS) e doutorado em Teologia sistemático-pastoral pela PUC-Rio. Foi professora e coordenadora adjunta da Faculdade Palotina de Santa Maria (RS) no curso de Teologia. Atualmente, é coordenadora do Curso de Teologia da Faculdade Canção Nova em Cachoeira Paulista (SP).

segunda-feira, 5 de agosto de 2019

Vocação: missão que Deus nos dá

Vocação é um chamado do Senhor, é Deus quem chama e envia. A iniciativa é toda d’Ele.

“Não fostes vós que me escolhestes, mas eu vos escolhi e vos designei para que vades e produzais frutos e o vosso fruto permaneça” (Jo 15,16).

Deus, quando chama, leva em conta toda a sua pessoa, a começar pelo nome, passando pela sua família e pela sua história. Nada fica de lado em sua vida.

Quando Deus chama, Ele mesmo o capacita, por isso não precisamos ter medo, porque a iniciativa é toda do Senhor. A nossa parte é responder dizendo ‘sim’ e nos colocando inteiramente à disposição d’Aquele que nos chama.

A vocação afeta a pessoa no mais profundo do seu íntimo; e quando somos afetados por esse chamado, não temos como dizer ‘não’. A nossa resposta sempre será ‘sim’! “Deixemo-nos seduzir!”



É Deus quem nos capacita para a nossa vocação, pois foi Ele que nos designou a missão que temos de cumprir

Todos nós fomos escolhidos, chamados por Deus para uma missão. A Palavra diz que Jesus subiu ao monte e chamou os que Ele quis e os designou e os preparou para uma missão específica: levar a Sua Palavra por todo o mundo (cf. Mc 3, 13-19). Deus, no entanto, não nos chama só para isso. Há lugar para todos em Seu Reino. Existem os que pregam, os que se dedicam somente às famílias, os que defendem a pátria. Enfim, é infinita a missão de Deus. O Senhor conta com corações abertos para colaborar com Ele nessa linda companhia.

Qual é a sua missão? A que você é chamado hoje?

Não podemos dizer que aquilo que fazemos, hoje, não é um chamado, não é uma missão! Não digamos que não somos capazes, porque quem nos capacita é Deus. O chamado foi um presente d’Ele aos discípulos, e na Palavra não está escrito que eles estavam capacitados para a missão que iriam receber. Ao contrário, todos corriam o risco de fracassar, de não dar conta, mas o segredo está em confiar e abandonar-se nas mãos d’Aquele que chama, capacita e envia. Quem é chamado recebe a autoridade espiritual e o conforto da presença constante do Senhor.

Creiamos! Nós também fomos escolhidos por Deus para uma missão e precisamos investir nela. O Senhor nos conhece e conhece a missão que escolheu para nós. Ele conhece nosso potencial e também as limitações. Não são as características pessoais de cada um que determinam a vocação, muito pelo contrário, o próprio profeta responde dessa forma: “Não sei falar, sou apenas uma criança…” (Jer 1, 6). Lembremo-nos: o Senhor não se importa se temos potencial ou não, a partir do momento em que Ele nos chama, todo o potencial vem d’Ele.

Toda a graça da vocação de ser pai, de ser mãe, padre, missionário, freira, político, seja lá o que for, se é Deus quem chama, toda a graça para executar a vocação vem d’Ele. Quem foi chamado só precisa responder a essa iniciativa amorosa de Deus, como Maria, que disse: “Eis-me aqui, faça-se a Tua Vontade”.

(Fonte)

domingo, 25 de março de 2018

Missa de Ramos e Início da Catequese da Comunidade Santa Rita de Cássia

Hoje em nossa comunidade Santa Rita de Cássia celebramos a Missa de Ramos, que dá início a Semana Santa. Foi um momento de profunda espiritualidade, onde pode podemos sentir a real presença de Jesus em nosso meio e nos prepara para a dolorosa semana que antecede a glória da Ressurreição.

Também na Missa de hoje iniciamos a nossa caminhada na Catequese! Pedimos as bênçãos de Deus para que possamos ter um ótimo ano na preparação de nossas crianças para receber a 1ª Comunhão.

Segue calendário de atividades da Semana Santa em nossa Comunidade:

* Quarta Feira (28/03, às 20:00h) - Celebração do Encontro
* Quinta Feira (29/03, às 20:30h) - Missa do Lava Pés
* Quinta Feira (29/03, das 00:00 às 06:00h) - Vigília Jovem
* Sexta Feira (30/03, das 08:00h às 15:00h) - Vigília e Adoração
* Sexta Feira (30/03, às 15:00h) - Celebração da Paixão do Senhor
* Sábado (31/03, às 21:00h) - Missa da Vigília Pascal







A importância do Domingo de Ramos

O Domingo de Ramos nos ensina que seguir Cristo é renunciarmos a nós mesmos

A Semana Santa começa no Domingo de Ramos, porque celebra a entrada de Jesus em Jerusalém montado em um jumentinho – o símbolo da humildade – e aclamado pelo povo simples que O aplaudia como “Aquele que vem em nome do Senhor”. Esse povo, há poucos dias, tinha visto Jesus ressuscitar Lázaro de Betânia e estava maravilhado, pois tinha a certeza de que esse era o Messias anunciado pelos profetas, mas, esse mesmo povo tinha se enganado com tipo de Messias que Cristo era. Pensava que, fosse um Messias político, libertador social, que fosse arrancar Israel das garras de Roma e devolver-lhe o apogeu dos tempos de Salomão.

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Para deixar claro a este povo que Ele não era um Messias temporal e político, um libertador efêmero, e sim, o grande Libertador do pecado, a raiz de todos os males, então, o Senhor entra na grande cidade, a Jerusalém dos patriarcas e dos reis sagrados, montado em um jumentinho; expressão da pequenez terrena. Ele não é um Rei deste mundo! Dessa forma, o Domingo de Ramos dá o início à Semana Santa, que mistura os gritos de hosanas com os clamores da Paixão de Cristo. O povo acolheu Jesus abanando seus ramos de oliveiras e palmeiras.

Os ramos lembram nosso batismo

Esses ramos significam a vitória: “Hosana ao Filho de Davi: bendito seja o que vem em nome do Senhor, o Rei de Israel; hosana nas alturas”. Os ramos santos nos fazem lembrar que somos batizados, filhos de Deus, membros de Cristo, participantes da Igreja, defensores da fé católica, especialmente nestes tempos difíceis em que essa é desvalorizada e espezinhada. Os ramos sagrados que levamos para nossas casas, após a Missa, lembram-nos de que estamos unidos a Cristo na mesma luta pela salvação do mundo, a luta árdua contra o pecado, um caminho em direção ao Calvário, mas que chegará à Ressurreição.

O sentido da Procissão de Ramos

O sentido da Procissão de Ramos é mostrar essa peregrinação sobre a terra que cada cristão realiza a caminho da vida eterna com Deus. Ela nos recorda que somos apenas peregrinos neste mundo tão passageiro, tão transitório, que se gasta tão rapidamente e nos mostra que a nossa pátria não é neste mundo, mas sim, na eternidade; aqui nós vivemos apenas em um rápido exílio em demanda da casa do Pai.

A Missa do Domingo de Ramos traz a narrativa de São Lucas sobre a Paixão de Nosso Senhor Jesus, Sua angústia mortal no Horto das Oliveiras, o Sangue vertido com o suor, o beijo traiçoeiro de Judas, a prisão, os maus-tratos causados pelas mãos dos soldados na casa de Anás, Caifás; Seu julgamento iníquo diante de Pilatos, depois, diante de Herodes, Sua condenação, o povo a vociferar “crucifica-O, crucifica-O”; as bofetadas, as humilhações, o caminho percorrido até o Calvário, a ajuda do Cirineu, o consolo das santas mulheres, o terrível madeiro da cruz, Seu diálogo com o bom ladrão, Sua morte e sepultura.

Entrada “solene” de Jesus em Jerusalém

A entrada “solene” de Jesus em Jerusalém foi um prelúdio de Suas dores e humilhações. Aquela mesma multidão que O homenageou, motivada por Seus milagres, agora vira as costas a Ele e muitos pedem a Sua morte. Jesus, que conhecia o coração dos homens, não estava iludido. Quanta falsidade há nas atitudes de certas pessoas! Quantas lições nos deixam esse Domingo de Ramos!

O Mestre nos ensina, com fatos e exemplos, que o Reino d’Ele, de fato, não é deste mundo. Que Ele não veio para derrubar César e Pilatos, mas para derrubar um inimigo muito pior e invisível: o pecado. E para isso é preciso imolar-se, aceitar a Paixão, passar pela morte para destruir a morte; perder a vida para ganhá-la. A muitos o Senhor Jesus decepcionou; pensavam que Ele fosse escorraçar Pilatos e reimplantar o reinado de Davi e Salomão em Israel; mas Ele vem montado em um jumentinho frágil e pobre.

Muitos pensam: “Que Messias é esse? Que libertador é esse? É um farsante! É um enganador que merece a Cruz por nos ter iludido”. Talvez Judas tenha sido o grande decepcionado. O Domingo de Ramos ensina-nos que a luta de Cristo e da Igreja e, consequentemente, a nossa também, é a luta contra o pecado, a desobediência à Lei Sagrada de Deus, que hoje é calcada aos pés até mesmo por muitos cristãos que preferem viver um Cristianismo “light”, adaptado aos seus gostos e interesses, e segundo as suas conveniências. Impera, como disse Bento XVI, “a ditadura do relativismo”.

O Domingo de Ramos nos ensina que seguir o Cristo é renunciarmos a nós mesmos, morrermos na terra como o grão de trigo para poder dar fruto, enfrentar os dissabores e ofensas por causa do Evangelho do Senhor. Ele nos arranca das comodidades e das facilidades, para nos colocar diante d’Aquele que veio ao mundo para salvá-lo.

(FONTE)

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